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Economia

Copom se reúne nesta quarta com petróleo sob pressão da guerra

Analistas esperam corte modesto de 0,25 ponto percentual na taxa, para 14,75%, apesar da alta nos combustíveis.

Redação Jornal de Brasília

18/03/2026 8h33

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil Versão em áudio

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (18) para decidir sobre a taxa Selic, em um contexto de alta nos preços do petróleo impulsionada pelo conflito no Oriente Médio.

Mesmo com a pressão inflacionária, analistas de mercado preveem a primeira redução dos juros em dois anos, com um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 15% ao ano para 14,75% ao ano. Essa taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando era de 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho de 2025, a Selic foi elevada sete vezes seguidas, mas permaneceu inalterada nas quatro últimas reuniões.

A decisão será anunciada no início da noite desta quarta. O Copom estará desfalcado, pois os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expiraram no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve encaminhar as indicações de substitutos ao Congresso Nacional nas próximas semanas.

Na ata da reunião de janeiro, o Copom havia confirmado a intenção de iniciar os cortes na Selic em março. No entanto, o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã gerou dúvidas sobre o tamanho da redução, com algumas instituições financeiras prevendo adiamento. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com analistas, a expectativa agora é de corte de 0,25 ponto, inferior aos 0,5 ponto previstos antes do conflito.

O comportamento da inflação permanece incerto. A prévia do IPCA acelerou para 0,7% em fevereiro, pressionada por gastos com educação, mas recuou para 3,81% em 12 meses, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. As estimativas para 2026 subiram de 3,8% para 4,1% devido ao conflito no Oriente Médio, aproximando-se do teto da meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual (limite superior de 4,5%).

A Selic serve como referência para as taxas da economia e é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. O BC atua diariamente com operações de mercado aberto para manter a taxa próxima ao valor definido. Aumentos na Selic visam conter a demanda aquecida, encarecendo o crédito e estimulando a poupança, o que pode frear a expansão econômica. Reduções, por outro lado, barateiam o crédito, incentivam produção e consumo, mas afrouxam o controle inflacionário.

O Copom se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia, há apresentações técnicas sobre economias brasileira e mundial, além do mercado financeiro. No segundo dia, os diretores definem a Selic.

Desde janeiro de 2025, vigora o novo sistema de meta contínua de inflação, com objetivo de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. A meta é apurada mensalmente com base na inflação acumulada em 12 meses. No último Relatório de Política Monetária, de dezembro, o BC previu IPCA em 3,5% para 2026, mas a estimativa deve ser revisada na próxima edição, no fim de março.

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