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Economia

Cooperativas de crédito se preparam para segunda fase de programa piloto do Drex

Empresas do segmento com atuação em Brasília já se preparam com aumento de equipes e investimentos para se adequarem ao Drex

Redação Jornal de Brasília

05/07/2024 14h14

Foto: Reprodução

Já virou conversa comum entre empresários, bancos, lojistas e consumidores de um modo geral a expectativa da chegada do Drex, a moeda digital oficial do Brasil, prevista para ser implantada no próximo ano. O programa piloto para sua implantação foi iniciado em 2023 pelo Banco Central e entra, agora, em sua segunda fase, quando os participantes começarão a testar os possíveis casos de uso e funcionalidades, como os contratos inteligentes.

Por isso, instituições diversas se movimentam para buscar formas de se adequarem às novidades e ficarem atentas a possíveis problemas e implicações. Na prática, a nomenclatura Drex foi pensada para traduzir a mensagem do que é a moeda. A letra D se refere ao formato: digital; o R à moeda nacional: o Real; o E, ao sistema: eletrônico; e o X, representa a inovação. Cada brasileiro poderá ter o seu “Real Digital”, podendo realizar transações no mesmo valor da cédula física.

A diferença maior é que o armazenamento será virtual, ou seja, ao invés de sacar dinheiro em caixas eletrônicos e andar com notas na carteira, qualquer valor será guardado em carteiras digitais que serão disponibilizadas pelas instituições financeiras.

Responsável por atuar há 32 anos no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins como uma cooperativa financeira de livre admissão — que tem, atualmente, o objetivo de administrar recursos financeiros de 127 mil cooperados — a Sicoob UniCentro Br é uma das entidades que começa a se preparar para esta segunda fase do programa piloto.

Investimentos e equipes

O diretor-presidente, Diogo Mafia, contou que a cooperativa financeira está adotando várias medidas para receber a novidade, inclusive planejando aumento de investimentos e de equipes relacionadas a ativos digitais. Segundo ele, a nova moeda tem pontos positivos e também desafios. Dentre os fatores positivos, Mafia destacou o fato de vir a representar “uma oportunidade significativa de entrada no mercado de ativos digitais e uma mudança em direção à digitalização como uma nova fonte de receita”.

Bem como oportunidade de melhoria na eficiência do mercado de pagamentos de varejo, promovendo competição e inclusão financeira para aqueles que ainda não têm acesso a serviços bancários tradicionais. “O Drex deve integrar ativos financeiros em sua infraestrutura, como debêntures (títulos de dívida que geram um direito de crédito ao investidor), títulos de crédito e ações. A adoção dessa nova tecnologia pode trazer mais agilidade, rentabilidade e produtos financeiros atrativos para emissores e investidores”, frisou.

Proteção e entraves

O dirigente da Sicoob UniCentro ainda apontou dentre os benefícios para
regulação do Drex, o fato da nova moeda vir a ser uma espécie de proteção para os clientes, propiciar redução das atividades ilegais, promoção de estabilidade financeira e de transparência, além de incentivo à inovação responsável.

Mas também citou, dentre os desafios, a possibilidade de entraves para o sistema no tocante à segurança e à questão da privacidade dos dados dos usuários. A seu ver, o principal problema encontrado é o fato de ter uma tecnologia que permitirá que os membros da rede tenham acesso a dados como valores, origem e destino de transações e isso viola as leis de proteção de dados no Brasil. Por outro lado, ele explicou que a regulamentação desse tipo de ativo digital também tem levantado preocupação por questões envolvendo segurança digital, o que levará a mais investimentos nesta área, por parte do sistema financeiro.

Para Mafia, o Drex já está sendo considerado uma grande oportunidade de inovação para o setor financeiro crescer em um ambiente de mudança tecnológica e social. “Para as cooperativas de crédito, o Drex representa não apenas evolução tecnológica, mas também uma oportunidade de fortalecer o cooperativismo e promover, ainda mais, a inclusão financeira e segurança do cooperado”.

“As cooperativas financeiras comprometidas com o princípio de educação, formação e informação, desempenham um papel vital ao informar sobre esta nova tecnologia. A educação digital dos cooperados será, com certeza, um aspecto crucial para a adoção em larga escala”, enfatizou.

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