Rio e São Paulo, 09 – Em dezembro, o recuo de 2,41% da energia elétrica residencial foi o item de maior alívio individual para o IPCA do mês, -0,10 ponto porcentual, de acordo com os dados do IBGE. A queda foi puxada pela entrada em vigor da bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, em substituição à bandeira tarifária vermelha patamar 1, que vigorava em novembro e acrescentava R$ 4,46 para o mesmo nível de consumo.
Em compensação, os preços dos alimentos para consumo em casa voltaram a subir, após seis meses seguidos de quedas. Apesar disso, a alta foi branda, considerando a época de aumento sazonal nesses produtos.
Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, a mudança de bandeira tarifária, que resultou na queda na tarifa de energia elétrica, deu a maior contribuição para deter o IPCA de dezembro, mas a maior oferta de alimentos importantes na cesta de consumo das famílias também ajudou a segurar a inflação. “Teve uma oferta de produtos alimentícios maior, o que ocorreu o ano todo”, lembrou Gonçalves. “A maior oferta de alimentos também contribuiu para segurar a inflação. Os alimentos têm o maior peso no orçamento das famílias. Então isso também ajudou a segurar o IPCA.”
O grupo Alimentação e bebidas saiu de um recuo de 0,01% em novembro para uma alta de 0,27% em dezembro. O custo da alimentação no domicílio subiu 0,14%, puxado por altas na cebola (12,01%), batata-inglesa (7,65%), carnes (1,48%) e frutas (1,26%). Entre as carnes, os destaques foram os aumentos no contrafilé (2,39%), alcatra (1,99%) e costela (1,89%), enquanto, entre as frutas, subiram o mamão (7,85%) e a banana-prata (4,32%). Na direção oposta, houve recuos no leite longa-vida (-6,42%), tomate (-3,95%) e arroz (-2,04%).
Os aumentos nos custos das passagens aéreas (12,61%) e dos transportes por aplicativo (13,79%) pressionaram as despesas das famílias com transportes em dezembro. A passagem aérea contribuiu sozinha com 0,08 ponto porcentual para o IPCA de dezembro, subitem de maior pressão na inflação do mês. A segunda maior pressão partiu de transporte por aplicativo, impacto de 0,04 ponto porcentual.
Os combustíveis aumentaram 0,45%. Houve altas no etanol (2,83%), gás veicular (0,22%) e gasolina (0,18%), mas queda no óleo diesel (-0,27%).
Estadão Conteúdo