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Congresso não será empecilho para aprovação do ajuste fiscal, diz Gustavo Franco

Por Agência Estado 27/09/2016 3h42

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco acredita que o Congresso não será um grande empecilho para a aprovação do ajuste fiscal. Questionado sobre o assunto durante evento promovido pelo Instituto Millenium, Franco lembrou uma frase de Ulysses Guimarães, que dava a entender que quando uma discussão chega no Congresso já madura, não há dificuldades em aprovar a matéria.<p><p>"É uma questão de agenda, de articulação, saber levar de forma dosada as coisas, mas sempre chantageando um pouco, porque o Congresso tem de saber que, se não aprovar, vai ter de lidar com as consequências. Francamente, não acho que o Congresso é o problema. Nós temos uma crise política que vai seguir seu curso. O Congresso não é irracional e a capacidade de interlocução entre os Poderes não foi toda distribuída", comentou.<p><p>Franco lembrou de sua passagem pelo Banco Central e traçou um paralelo com a situação atual, já que em ambos os casos o governo ficou um pouco "refém" da equipe econômica. "Lá atrás a gente tinha o sonho da estabilização, então podíamos demandar qualquer coisa da área política. Talvez agora o time econômico precisa definir um pouco melhor seu ‘sonho’. Isso tem de ser articulado de forma mais clara", apontou. Mesmo assim, ele disse crer que, com tempo e paciência, a equipe capitaneada por Henrique Meirelles conseguirá convencer a ala política do governo.<p><p>O economista-chefe do BTG Pactual, Eduardo Loyo, que participou do mesmo evento, também se mostrou relativamente otimista com as perspectivas de aprovação de reformas e do ajuste fiscal. "Só o fato de o governo estar avançando em outras agendas mostra que eles não estão preocupados com o risco de dispersar capital político". <p><p>Ele ressaltou, no entanto, que o prazo do governo Michel Temer é curto e que, possivelmente, os frutos positivos desses projetos só serão colhidos depois. "Eles vão enfrentar os custos mais imediatos do ajuste, mas sem tanto tempo para conseguir aproveitar os frutos", avaliou.<p><p>Loyo disse que os agentes políticos precisarão se esforçar para "perenizar" a atual agenda econômica, já que não será possível "passar a limpo" o País até 2018. "Ainda vai ter muita coisa para fazer e a questão sobre o que o Brasil vai escolher para o seu futuro vai continuar em aberto em 2018". <br /><br /><b>Fonte: </b>Estadao Conteudo








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