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Economia

Comércio pede socorro

Arquivo Geral

10/09/2013 7h00

O Distrito Federal segue na contramão do Brasil quando o assunto é o desempenho do comércio. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprovam isso. Segundo a última Pesquisa Mensal de Comércio, referente a junho, no acumulado dos primeiros seis meses de 2013 o comércio registrou crescimento de 3% no País. Já o Distrito Federal, no mesmo período, obteve avanço de apenas 1,1%.

 

Se a comparação do crescimento anual for feita com as outras unidades da Federação, a realidade é ainda pior. Os estados de Rondônia, Roraima, Rio Grande do Norte e Goiás, por exemplo, apresentaram no período índices de 9%, 8%, 9,2% e 3,2%, respectivamente. No topo da lista, figura o estado do Mato Grosso do Sul, com o índice de crescimento anual de 12%. 

 

A desaceleção do setor é acentuada em algumas áreas, como a de hipermercados e supermercados, com  baixa de 2,3% ao ano. No segmento de móveis, o índice é mais preucupante. Com diminuição de 11,7% ao ano, o Distrito Federal fica na frente apenas do estados do Rio de Janeiro (15,4%) e Paraná (13%).

 

Pouco incentivo


Segundo o presidente da Federação do Comércio (Fecomércio), Aldemir Santana, o incentivo dado aos empresários é cada vez menor. “O incentivo é muito pequeno. O que houve em determinado momento foi um estímulo ao consumo, mas já foi atingido o limite máximo e passou. Contudo, o incentivo à abertura das empresas ainda é muito baixo”, explicou.

 

Adelmir compara a situação vivida pelo Distrito Federal à de Goiás. “O governo goiano tem sido muito generoso e dado muito incentivo para as empresas. Inclusive, muitos empresários estão saindo do DF para atuar no estado vizinho”, ressalta.

 

Na opinião do presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SindVarejista), Antônio Augusto de Moraes, apesar do resultado da pesquisa, os comerciantes do DF devem manter o otimismo. “O Governo Federal tem criado linhas de crédito que ajudarão muito os comerciantes. Por isso, acredito que neste semestre esse quadro será revertido”, diz. 

 

De acordo com Moraes, o resultados dos demais estados podem ser explicados. “As regiões do Norte e Nordeste têm recebido muitos recursos do Governo Federal. Por isso, elas estão apresentando um desenvolvimento mais expressivo”, constata.

 
 
Muito imposto e nada para compensar


Quem sente na pele os efeitos do desempenho pífio do varejo no Distrito Federal são os empresários do setor de móveis, que de janeiro a junho amargam uma queda de 11,7% nas vendas. É o caso de Djalma Demétrio Leal, 52 anos, que atua há mais de 30 anos no ramo. “O resultado dessa pesquisa é reflexo da dificuldade que temos para trabalhar. Pagamos impostos caros e não recebemos contrapartida alguma do governo. É muito desanimador”, desabafa.
 
 
O comerciante, proprietário de loja na W3 sul, destaca que os altos custos prejudicam a ascensão da empresa. “Os gastos mensais são altíssimos. Somente com o aluguel desembolso por volta de R$ 6 mil. Além disso, para cado produto vendido com nota fiscal, pago 21% ao governo de ICMS. Só de IPTU paguei R$ 6 mil neste ano. Com isso, fica complicado aumentar a loja e contratar funcionários”, declarou. 
 
 
De acordo com Djalma, os planos para o futuro não incluem o comércio. “Nos próximos dois anos pretendo deixar essa profissão. É muito estresse e nada de retorno”, disse.
 
 
Quem atua no setor de livros também tem encontrado dificuldade. De acordo com Bruno Pires, proprietário de uma livraria na W3 Sul, a principal vilã do comércio na avenida é a falta de estrutura do local. “O governo prometeu uma revitalização que nunca chegou. A W3 sul está sucateada, conta com muitas lojas fechadas e os clientes não podem dispor sequer de estacionamento”, afirmou.
 
 
Saiba Mais 

A reportagem do Jornal de Brasília entrou em contato com a assessoria de imprensa do Governo do Distrito Federal para obter esclarecimentos sobre a pesquisa. A assessoria informou que, por meio da  Secretaria de Desenvolvimento Econômico e de outros órgãos, promove vários programas de incentivo e apoio ao desenvolvimento do comércio, indústria e empresários locais. Um exemplo é o Ideas, sancionado no início deste ano pelo governador Agnelo Queiroz, no qual prevê financiamentos de até 13% do faturamento bruto mensal das empresas.
 
 

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