O Distrito Federal segue na contramão do Brasil quando o assunto é o desempenho do comércio. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprovam isso. Segundo a última Pesquisa Mensal de Comércio, referente a junho, no acumulado dos primeiros seis meses de 2013 o comércio registrou crescimento de 3% no País. Já o Distrito Federal, no mesmo período, obteve avanço de apenas 1,1%.
Se a comparação do crescimento anual for feita com as outras unidades da Federação, a realidade é ainda pior. Os estados de Rondônia, Roraima, Rio Grande do Norte e Goiás, por exemplo, apresentaram no período índices de 9%, 8%, 9,2% e 3,2%, respectivamente. No topo da lista, figura o estado do Mato Grosso do Sul, com o índice de crescimento anual de 12%.
A desaceleção do setor é acentuada em algumas áreas, como a de hipermercados e supermercados, com baixa de 2,3% ao ano. No segmento de móveis, o índice é mais preucupante. Com diminuição de 11,7% ao ano, o Distrito Federal fica na frente apenas do estados do Rio de Janeiro (15,4%) e Paraná (13%).
Pouco incentivo
Segundo o presidente da Federação do Comércio (Fecomércio), Aldemir Santana, o incentivo dado aos empresários é cada vez menor. “O incentivo é muito pequeno. O que houve em determinado momento foi um estímulo ao consumo, mas já foi atingido o limite máximo e passou. Contudo, o incentivo à abertura das empresas ainda é muito baixo”, explicou.
Adelmir compara a situação vivida pelo Distrito Federal à de Goiás. “O governo goiano tem sido muito generoso e dado muito incentivo para as empresas. Inclusive, muitos empresários estão saindo do DF para atuar no estado vizinho”, ressalta.
Na opinião do presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SindVarejista), Antônio Augusto de Moraes, apesar do resultado da pesquisa, os comerciantes do DF devem manter o otimismo. “O Governo Federal tem criado linhas de crédito que ajudarão muito os comerciantes. Por isso, acredito que neste semestre esse quadro será revertido”, diz.
De acordo com Moraes, o resultados dos demais estados podem ser explicados. “As regiões do Norte e Nordeste têm recebido muitos recursos do Governo Federal. Por isso, elas estão apresentando um desenvolvimento mais expressivo”, constata.
Quem sente na pele os efeitos do desempenho pífio do varejo no Distrito Federal são os empresários do setor de móveis, que de janeiro a junho amargam uma queda de 11,7% nas vendas. É o caso de Djalma Demétrio Leal, 52 anos, que atua há mais de 30 anos no ramo. “O resultado dessa pesquisa é reflexo da dificuldade que temos para trabalhar. Pagamos impostos caros e não recebemos contrapartida alguma do governo. É muito desanimador”, desabafa.