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Economia

Combustível fóssil ainda é mais rentável a transportadoras, diz executivo da Scania

O grupo está avançando no desenvolvimento de sistemas de propulsão alimentados por baterias, mas considera que a adoção dos caminhões elétricos pesados tem desapontado

Redação Jornal de Brasília

29/08/2025 21h10

Foto: Banco de Imagens

Södertälje (Suécia), 29 – Embora tecnologias de emissão zero já estejam disponíveis, a descarbonização dos sistemas de transporte ainda esbarra no fato de que os combustíveis fósseis continuam sendo a opção mais rentável em quase todos os países do mundo, o que exige a intervenção do setor público para estimular a troca dos veículos mais poluentes.

O quadro de oportunidades e desafios da transição energética foi traçado pelo chefe de sustentabilidade da Scania, Fredrik Nilzén, durante visita do Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), junto com um pequeno grupo de jornalistas, à sede da montadora sueca em Södertälje, cidade a 30 quilômetros da capital Estocolmo. O grupo está avançando no desenvolvimento de sistemas de propulsão alimentados por baterias, mas considera que a adoção dos caminhões elétricos pesados tem desapontado, colocando em risco as metas de missões

Diante dos ataques à agenda climática após a posse do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos, incluindo a saída da maior economia do mundo do Acordo de Paris, Nilzén entende que a COP30, conferência sobre mudanças climáticas que as Nações Unidas realizarão em novembro em Belém (PA), será importante para reequilibrar a narrativa sobre o enfrentamento do aquecimento global.

A empresa participará da conferência, com a ida de seu CEO global, Christian Levin, ao Pará. Pretende levar para a conferência a mensagem de que o sistema de transporte depende de um plano de ação que passa por investimentos em infraestrutura, mudanças de políticas públicas e incentivos tributários que permitam a viabilidade financeira dos veículos elétricos.

“É um sistema que precisa de mudanças”, comentou hoje Nilzén ao falar sobre uma das maiores transformações já experimentadas pela indústria de transporte. “É quase como o que foi passar dos cavalos para o motor a combustão. Agora, estamos evoluindo dos motores a combustão para a eletrificação.”

Conforme o head de sustentabilidade da Scania, a grande barreira a ser superada está no fato de que para os transportadores – ou seja, os clientes da montadora – transportar cargas com combustíveis fósseis é na maioria dos casos mais lucrativo do que com energia limpa. Se não render dinheiro, ressaltou, a transição aos veículos comerciais elétricos não acontecerá.

“Se fizer as contas com base nas regulamentações atuais, é mais rentável trabalhar com os combustíveis fósseis. E isso é definitivamente uma barreira que precisa ser trabalhada mais intensamente”, defendeu.

Aos jornalistas em Södertälje, Nilzén comentou que a Scania faz desde 2016 um investimento pesado na descarbonização. No entanto, nove anos depois a substituição dos combustíveis fósseis ainda precisa andar mais rápido nos sistemas de transporte.

Ele reconheceu que as metas do Acordo de Paris são desafiadoras, e demonstrou preocupação em relação ao alcance da meta que prevê para este ano o corte de 20% nas emissões das frotas das transportadoras. “Alcançar os 20% é um grande desafio. Hoje, não creio que conseguiremos”, lamentou.

Diante das tensões geopolíticas e das barreiras ao comércio nos Estados Unidos que geram insegurança a novos investimentos, o executivo entende que a COP30 será provavelmente a “mais importante em um bom tempo”.

Segundo Nilzén, houve progresso, ainda que não na velocidade necessária, das fontes renováveis como energia solar e eólica. Nas estradas, porém, os governos precisam trabalhar mais em infraestrutura de distribuição e recarga dos veículos movidos a energia elétrica. “Sem isso, a eletrificação do sistema de transporte não será possível”, pontuou o executivo.

*O repórter viajou a convite da Scania

Estadão Conteúdo

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