Port Daniel Xavier
A partir de janeiro de 2026, consumidores em todo o país sentirão no bolso o impacto do aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre gasolina, diesel e gás de cozinha. A medida foi definida pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (8/9).
Segundo o ato, a gasolina terá acréscimo de R$ 0,10 por litro, passando a R$ 1,57, enquanto o diesel sobe R$ 0,05, alcançando R$ 1,17 por litro. Já o gás de cozinha terá aumento de R$ 1,05 por botijão.
Para Paulo Tavares, presidente do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes no Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF), o reajuste é apenas a ponta de um movimento de aumento acumulado nos últimos três anos. “Em junho de 2023, o ICMS da gasolina passou de R$ 0,90 para R$ 1,22 por litro. No ano seguinte, subiu para R$ 1,37 e em 2025 alcançou R$ 1,47. Agora, com R$ 1,57, teremos uma elevação de 74,4% em três anos. É um impacto que se reflete diretamente na vida das pessoas e na operação de empresas do setor”, explica ao Jornal de Brasília.
Ele detalha como a cobrança do imposto evoluiu ao longo dos anos. “Até 2023, o ICMS era calculado por alíquota, e cada estado definia o seu percentual. Hoje, o valor do ICMS da gasolina é uniforme em todo o país e corresponde a 23% do preço da bomba. Com o novo reajuste, passará a 25%. Para o consumidor, isso significa que cada litro da gasolina terá um peso maior do imposto, mesmo sem variação no preço internacional do combustível”, explica o presidente.
Paulo Tavares também reflete sobre os efeitos que esse aumento pode ter no comportamento da população. Ele aponta que “é natural que, diante de preços mais altos, as pessoas busquem alternativas, como carros híbridos e elétricos. Mas isso só será viável se houver investimentos em energia limpa e em uma infraestrutura ampla de recarga. Sem isso, o impacto é sentido apenas no bolso do consumidor.”
Sobre a possibilidade de negociação com o governo para minimizar os efeitos, Tavares diz que o Confaz não abre espaço para negociação. “O reajuste só acontece se todos os secretários de Fazenda concordarem. Nosso governador poderia ser contrário, mas a decisão é nacional e soberana. Já tentamos inúmeras vezes, sem sucesso”, declarou Tavares.
O Confaz aprovou ainda outros convênios durante sua 413ª Reunião Extraordinária, realizada em 5 de setembro em Brasília. Entre eles estão ajustes de ICMS para etanol, redução de juros e multas, parcelamentos de débitos tributários e isenções voltadas a empresas em recuperação judicial.
O peso no bolso da população
A equipe de reportagem do JBr esteve no posto de combustível Melhor Posto de Serviços, na Vila Planalto, e entrevistou o motorista de aplicativo Carlos Henrique, 38 anos, morador da região administrativa Riacho Fundo I. Ele diz que vai sentir na pele o efeito dos aumentos. “Para quem trabalha com carro, qualquer aumento pesa muito. Hoje, o combustível já representa quase um terço do que ganho por corrida. Com o ICMS subindo, vai sair do nosso bolso e reduzir bastante o lucro”, afirma.
Em Planaltina-DF, a dona de casa Maria de Fátima, 52 anos, teme o impacto do reajuste do gás de cozinha. “Já está difícil fechar as contas do mês, e agora vai pesar ainda mais. Uso o botijão para tudo em casa. Cada real a mais aperta muito para quem vive com salário apertado. Parece pouco, mas no fim faz diferença”, conta.



