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Economia

Comando dos Correios decide trocar diretores de operações e área financeira

Na ocasião, o cotado era José Marcos Gomes, que havia sido superintendente dos Correios em São Paulo durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o que foi considerado um laço indesejado pelo Executivo.

Redação Jornal de Brasília

02/03/2026 21h45

Foto: Agência Brasil

Foto: Agência Brasil

IDIANA TOMAZELLI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O comando dos Correios decidiu trocar mais dois diretores da empresa. Serão substituídos o diretor de Operações, Sérgio Kennedy Soares Freitas, e a diretora Econômico-Financeira, Loiane Bezerra de Macedo.
Segundo interlocutores, os substitutos serão de perfil técnico e ainda terão seus nomes submetidos a comitês internos da companhia, que é chefiada por Emmanoel Rondon.


A indicação de Kennedy era atribuída ao Podemos. Sua saída chegou a ser planejada no fim do ano passado, mas a mudança acabou sendo suspensa após integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva reclamarem do nome escolhido para substituí-lo.


Na ocasião, o cotado era José Marcos Gomes, que havia sido superintendente dos Correios em São Paulo durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o que foi considerado um laço indesejado pelo Executivo.


Já Macedo era funcionária da Caixa Econômica Federal, onde atuou por 18 anos antes de assumir a diretoria nos Correios. Ela foi nomeada pelo antecessor de Rondon, Fabiano Silva dos Santos, e mantida no cargo após a mudança de gestão.


Reconduzidos ao posto no fim do ano passado, Kennedy e Macedo tinham mandato até 6 de agosto de 2027 -ou seja, serão destituídos antes do fim do período programado.


Procurado, os Correios não se manifestaram até a publicação deste texto.


Essa é a terceira mudança na diretoria-executiva da empresa desde a posse de Rondon, que assumiu no fim de setembro de 2025 sob a promessa de carta branca para sanear as finanças da companhia.


No fim de janeiro de 2026, deixou o cargo o diretor de Administração, José Rorício Aguiar de Vasconcelos Junior, cuja indicação era atribuída ao deputado Juscelino Filho (União Brasil-MA), ex-ministro das Comunicações -pasta à qual os Correios são vinculados.


A diretoria de Administração cuida da gestão de contratos. Até agora, o cargo de Rorício ainda não foi preenchido. Por enquanto, quem assumiu as atribuições foi o diretor de Negócios, Hilton Rogério Maia Cardoso, também ligado ao União Brasil.


No ano passado, logo que assumiu, Rondon tirou do posto dois diretores ligados ao PT: Juliana Picoli Agatte (Governança e Estratégia) e Getúlio Marques Ferreira (Gestão de Pessoas). Ambos estavam com os mandatos vencidos desde agosto daquele ano.


Agatte era ligada ao presidente do PT, Edinho Silva, que foi prefeito de Araraquara (SP). Lá, ela foi secretária municipal de Governo, Planejamento e Finanças durante seis anos.


Getúlio Ferreira, por sua vez, era ligado à governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT).
Em seus respectivos lugares, entraram Luiz Cláudio Ligabue, que já atuou no Banco do Brasil e Natália Teles da Mota, que atuava como diretora-executiva da Enap (Escola Nacional de Administração Pública).


Os Correios estão no meio do processo de implementação de seu plano de reestruturação, após obter R$ 12 bilhões no fim de 2025 por meio de operação de crédito contratada com cinco bancos -dois deles controlados pelo governo federal.


A empresa estimou uma necessidade total de R$ 20 bilhões para prosseguir com o plano de reestruturação. O dinheiro será usado para regularizar dívidas, financiar medidas de ajuste (como incentivos à adesão ao PDV e mudanças no plano de saúde) e manter em dia as demais obrigações da companhia.


Como mostrou a Folha de S. Paulo, a companhia já iniciou as articulações para tentar levantar novos recursos até junho, por meio de novo empréstimo ou aporte da União. A estratégia busca evitar que a empresa enfrente uma nova crise em pleno período eleitoral.

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