Menu
Economia

Com ajuda ao Citi, EUA saem ao resgate de mais um gigante

Arquivo Geral

24/11/2008 0h00

O Governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (24) um pacote de US$ 326 bilhões para o Citigroup, for sale dos quais US$ 20 bilhões serão para um socorro imediato, no que representa um novo capítulo na série de resgates a diferentes gigantes financeiros.

Segundo os detalhes divulgados hoje, o Tesouro e a Corporação Federal de Seguros de Depósitos (FDIC, na sigla em inglês) disponibilizarão US$ 306 bilhões em garantias sobre os ativos “tóxicos” da entidade.

Além disso, o Tesouro investirá US$ 20 bilhões em ações preferenciais do grupo e adquirirá warrants (direitos sobre ações), que lhe darão a opção de comprar outros US$ 2,7 bilhões em títulos.

As ações do Citigroup tinham caído 83% desde o início do ano – 60% apenas na semana passada – e o banco enfrentava a possibilidade de uma cisão ou venda, mas depois do anúncio do apoio governamental, a cotação de seus papéis subiu quase 50% nesta manhã.

Hoje mesmo, o presidente George W. Bush afirmou que seu Governo continua pronto “para intervir, no futuro, se for necessário” e salvar mais entidades financeiras, tal como fez nesta madrugada com o Citigroup.

“Atuamos ontem à noite como fizemos anteriormente, e no futuro voltaremos a fazê-lo se for necessário”, disse Bush em uma breve declaração fora da Casa Branca, onde esteve acompanhado pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson.

O Citigroup é um dos conglomerados bancários mais conhecidos do mundo e, com ativos avaliados em cerca de US$ 2 trilhões, tem clientes em 106 países.

Na semana passada, a instituição anunciou que eliminaria 53 mil postos de trabalho.

A medida anunciada na madrugada pelo Departamento do Tesouro, pelo Fed e pelo FDIC amplia a intervenção governamental nos bancos privados americanos.

O Citigroup já tinha recebido US$ 25 bilhões dentro do plano de resgate financeiro de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso americano em outubro.

O Departamento do Tesouro tinha determinado que US$ 250 bilhões seriam destinados a intervenções em bancos em crise.

Neste ano, o Governo dos EUA já mobilizou entre US$ 2,6 trilhões e US$ 2,8 trilhões para sustentar o sistema financeiro, estremecido pela crise no setor de hipotecas de alto risco (subprime).

Além disso, o Tesouro americano e o Federal Reserve (Fed, banco central americano) se comprometeram a injetar US$ 200 bilhões na nacionalização das hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, US$ 152 bilhões na nacionalização da seguradora American International Group (AIG), e US$ 29 bilhões para a compra do banco Bear Stearns.

Até a semana passada, o Fed tinha US$ 893 bilhões em empréstimos pendentes, de curto prazo, com instituições financeiras.

Alguns analistas afirmaram que a ajuda dada esta madrugada ao Citigroup talvez não seja a última: o Bank of America, o maior dos EUA, assumiu bilhões de dólares em hipotecas de alto risco quando adquiriu a Countrywide Financial, e talvez necessite em breve de um auxílio do Governo.

Por sua vez, o Morgan Stanley, segundo os analistas, se encaminha para uma perda US$ 0,80 centavos por ação neste trimestre.

Em troca dos investimentos e garantias, o Governo receberá US$ 27 bilhões em ações preferenciais do Citigroup que pagam um dividendo de 8%.

As ações preferenciais do Governo vêm com garantias de compra de 254 milhões de ações do Citigroup a US$ 10,61 cada, o que permitirá que os contribuintes saiam ganhando se as ações subirem depois do investimento estatal.

Com o auxílio do Governo, o Citigroup pagará dividendos trimestrais que não superam US$ 0,01 por ação nos próximos três anos, comparado com os US$ 0,16 de dividendo pago por título no último trimestre.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado