A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou hoje o bom momento que a economia brasileira atravessa e, drug em seu Relatório Conjuntural do trimestre, elevou de 4,5% para 4,7% sua previsão para o crescimento do país para este ano.
Segundo a patronal, a melhoria das expectativas foi provocada pelo crescimento da demanda externa por produtos de grande peso na pauta das exportações brasileiras e pelo contínuo aumento da demanda interna.
Desta forma, o setor aproximou sua meta da do próprio Governo, geralmente mais otimistas.
O Ministério da Fazenda prevê para este ano um crescimento de 4,5% da economia, enquanto o Banco Central (BC) fixa o número em 4,7%.
A análise da CNI não faz qualquer referência às atuais turbulências nos mercados financeiros mundiais provocas pela crise do setor de créditos imobiliários dos Estados Unidos.
Para a patronal, a indústria “assumiu o papel de protagonista do crescimento econômico brasileiro e será a locomotiva do desempenho da economia no segundo semestre do ano”.
Dessa forma, além de prever um maior crescimento da economia em geral para este ano, o relatório também revisou para cima sua previsão para a expansão da indústria em 2007, dos 4% calculados inicialmente para 4,7%.
Segundo a confederação, o crescimento do setor terá uma participação de 1,4 ponto percentual na expansão de 4,7% prevista para este ano.
O Relatório acrescenta que o nível de uso da capacidade instalada da indústria foi de 82,5% em julho, dois pontos percentuais acima do registrado no mesmo mês do ano passado.
Além disso, o trabalho destaca que os investimentos cresceram 13,8% no segundo trimestre do ano e que a demanda por máquinas e equipamentos aumentou 19,5% no mesmo período.
“Há claros indícios de crescimento da capacidade produtiva do Brasil, o que reduz os eventuais riscos de restrição à oferta de produtos a médio prazo”, segundo a nota.
A CNI, no entanto, afirma que o crescimento para os próximos anos pode ser comprometido por um possível aumento da inflação e a conseqüente interrupção do atual processo de redução gradual das taxas de juros.
“O principal fator que se destaca como potencial limitador do crescimento é o aumento recorrente das taxas de inflação a partir de abril”, acrescenta.
Em agosto, o Brasil registrou uma inflação de 0,47%, quase dez vezes maior que os 0,05% verificados no mesmo mês do ano passado e o índice mais alto dos últimos oito meses.
A inflação acumulada nos primeiros oito meses do ano foi de 2,8%, acima dos 1,78% medidos entre janeiro e agosto do ano passado.
O principal temor dos economistas é que, preocupado com o aumento da inflação, o BC interrompa seu processo de redução gradual dos juros, que atualmente estão em seu menor nível em vários meses.
A possível interrupção do corte de juros “pode restringir a expansão do crédito e contrair a demanda, principalmente a de bens de maior valor agregado”, segundo o setor.