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Economia

CNA pede ao governo aumento da mistura de biodiesel para 17% devido a conflito no Oriente Médio

A entidade argumenta que se faz necessária a implementação urgente do B17 em virtude da escalada do conflito no Oriente Médio

Redação Jornal de Brasília

06/03/2026 17h58

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Brasília, 06 – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu ao governo federal o aumento da mistura mínima obrigatória de biodiesel ao óleo diesel dos atuais 15% para 17%. A entidade argumenta que se faz necessária a implementação urgente do B17 em virtude da escalada do conflito no Oriente Médio, já que a elevação do petróleo reflete no aumento do preço do diesel no mercado doméstico.

O pleito foi encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em ofício assinado pelo presidente da CNA, João Martins da Silva, informou a confederação ao Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A entidade argumenta que o setor produtivo está preocupado “com as elevações no preço do petróleo, com as oscilações no abastecimento, com os custos logísticos e com o potencial impacto no desempenho da macroeconomia nacional” decorrentes do conflito no Oriente Médio, iniciado no último sábado, 20 de fevereiro.

Para a CNA, nesse contexto, é “urgente” a ampliação do mandato de biodiesel com preço competitivo do biocombustível e potencial de frear eventuais escaladas de preços de transporte no País.

A CNA cita que o preço do petróleo Brent chegou a US$ 84 por barril, com alta de mais de 20% acumulada em relação ao fim de fevereiro. A entidade argumenta ainda que, a título de comparação, na iminência da guerra entre Rússia e Ucrânia, o preço do barril do petróleo subiu 40% com reflexo de alta de 21% e 23% nos preços de distribuição e revenda do diesel, respectivamente.

“Em antecipação aos eventuais impactos à população brasileira, o avanço da mistura de biodiesel representa medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressões sobre os custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional”, justificou a entidade.

A confederação lembra que a implementação do B16 estava prevista para 1º de março, conforme o cronograma estabelecido, o que não ocorreu. “No novo quadro da geopolítica mundial, o avanço imediato para 17% (B17) surge como medida razoável para a realidade nacional”, argumenta a CNA.

Diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi disse, em entrevista ao Broadcast Agro, que o impacto do conflito nos combustíveis é a preocupação número um do setor produtivo neste momento, em meio às atividades de colheita da primeira safra e preparação para plantio da segunda safra, em que há maior utilização de diesel nas operações mecanizadas das lavouras.

“O preço do barril do petróleo tem aumentado bastante e recebemos relatos de produtores reportando aumento de R$ 1 no preço do diesel na bomba, o que vemos como um exagero. Portanto, pedimos de forma preventiva o B17 para evitar aumento maior no preço do diesel e coibir possíveis abusos identificados”, afirmou Lucchi.

Do lado da oferta, Lucchi destaca que a soja se encontra em plena safra, com amplo potencial de abastecimento das indústrias esmagadoras. “Estamos colhendo safra recorde, com preços de soja abaixo do visto desde a pandemia de covid-19, o que fornece condição do biodiesel ser competitivo tanto para evitar aumento de custo no transporte logístico do Brasil quanto para aumento no custo de produção”, apontou Lucchi. Ele cita ainda a preocupação da entidade com possíveis efeitos do aumento “exagerado” do preço dos combustíveis, como a criação de uma demanda artificial e riscos de oscilações no abastecimento.

O porcentual mínimo de biodiesel adicionado ao óleo diesel é definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o qual tem reunião prevista na próxima semana com possibilidade de inclusão do tema na pauta.

Estadão Conteúdo

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