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Economia

Cigarrinha-do-milho causa R$ 33,6 bilhões em prejuízos anuais ao milho

Estudo da Embrapa aponta perdas de 22,7% na produção entre 2020 e 2024 devido à praga que transmite enfezamentos nas lavouras.

Redação Jornal de Brasília

07/04/2026 14h44

Foto: Charles Oliveira/Embrapa

Foto: Charles Oliveira/Embrapa

A cigarrinha-do-milho, considerada o maior desafio sanitário para os produtores de milho no Brasil, gera prejuízos anuais estimados em R$ 33,6 bilhões, equivalentes a US$ 6,5 bilhões pelo câmbio atual. Entre as safras de 2020 e 2024, as perdas totais alcançaram R$ 134,16 bilhões, ou US$ 25,8 bilhões, com uma redução média de 22,7% na produção, o que representa cerca de 31,8 milhões de toneladas de milho por ano, ou 2 bilhões de sacas de 60 quilos não produzidas.

Os dados fazem parte de um estudo divulgado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, e publicado na edição de abril da revista científica internacional Crop Protection. O levantamento, baseado em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) desde 1976, foi conduzido em 34 municípios das principais regiões produtoras do país, com participação de especialistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

De acordo com o pesquisador da Embrapa Cerrados, Charles Oliveira, em cerca de 80% das localidades avaliadas, a cigarrinha ou os enfezamentos foram apontados como o fator central para a queda de produtividade. A praga, cujo nome científico é Dalbulus maidis, transmite bactérias causadoras do enfezamento do milho, que se manifesta de forma pálida ou vermelha, alterando a coloração da planta, causando estrias e afetando a produção de grãos. Não há tratamento preventivo contra a doença, o que pode resultar na perda total das lavouras.

Oliveira explica que a doença é conhecida desde a década de 1970, mas surtos epidêmicos se tornaram frequentes a partir de 2015, favorecidos por mudanças no sistema de produção, como a expansão da safrinha e o cultivo de milho quase o ano todo. Esses fatores criaram um cenário propício para a sobrevivência da praga e dos microrganismos patogênicos.

O Brasil, terceiro maior produtor mundial de milho e um dos principais exportadores, tem estimativa de produção de 138,4 milhões de toneladas para a safra 2025/2026, segundo a Conab, com valor aproximado de US$ 30 bilhões. O assessor técnico da CNA, Tiago Pereira, destaca que a praga impacta diretamente a renda dos produtores, a estabilidade produtiva e a competitividade do país. Já a pesquisadora da Epagri, Maria Cristina Canale, enfatiza que os danos se estendem além das fazendas, elevando preços para o consumidor e afetando a balança comercial, uma vez que o milho é base para proteína animal e biocombustíveis.

Canale ressalta a importância de estudos como esse para orientar a destinação de recursos, o setor de seguros agrícolas, janelas de plantio e estratégias de mitigação. Os custos com inseticidas para controle da praga aumentaram 19% no período, superando US$ 9 (R$ 46) por hectare.

Diante da alta capacidade de reprodução e dispersão da cigarrinha, sem tratamento preventivo, a Embrapa recomenda medidas para minimizar os danos, como a eliminação do milho tiguera (plantas voluntárias na entressafra), sincronização do plantio para evitar janelas longas de semeadura, uso de cultivares resistentes ou tolerantes, manejo inicial com controle químico e biológico nos estádios iniciais da planta, e monitoramento constante coordenado entre produtores vizinhos. Há também tentativas de controle biológico com fungos entomopatogênicos, já que algumas populações da praga mostram resistência a certos inseticidas. A Embrapa disponibiliza uma cartilha online para orientar os agricultores.

Com informações da Agência Brasil

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