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Economia

Cesta básica sobe em todas as capitais em março de 2026

Aumentos foram impulsionados por chuvas nas regiões produtoras, elevando preços de itens como feijão e tomate.

Redação Jornal de Brasília

09/04/2026 7h48

Foto: Agência Brasil

Foto: Agência Brasil

Os custos da cesta básica de alimentos aumentaram em todas as 27 capitais brasileiras em março de 2026, de acordo com monitoramento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). São Paulo registrou o maior valor, de R$ 883,94, enquanto Aracaju teve o menor, com uma média de R$ 598,45.

Os alimentos que mais impactaram os preços foram o feijão, a batata, o tomate, a carne bovina e o leite, com aumentos atribuídos principalmente às chuvas nas principais regiões produtoras. Em contrapartida, o açúcar apresentou queda nos custos médios em 19 cidades, devido ao excesso de oferta.

As cidades com os maiores aumentos foram Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%). Além de São Paulo, destacam-se os valores elevados no Rio de Janeiro (R$ 867,97), Cuiabá (R$ 838,40), Florianópolis (R$ 824,35) e Campo Grande (R$ 805,93).

Com o salário mínimo de R$ 1.621,00, o trabalhador precisa de cerca de 109 horas de trabalho para custear a cesta básica. Comparado ao salário mínimo líquido, após desconto de 7,5% para a Previdência Social, o custo representa em média 48,12% da renda nas 27 capitais, ante 46,13% em fevereiro e 52,29% em março de 2025, considerando 17 capitais.

O tempo médio necessário para adquirir os itens da cesta foi de 97 horas e 55 minutos em março, superior aos 93 horas e 53 minutos de fevereiro. Em março de 2025, para 17 capitais, era de 106 horas e 24 minutos.

Em relação ao ano anterior, houve alta em 13 cidades e queda em quatro, com maiores aumentos em Aracaju (5,09%), Salvador (4,51%) e Recife (4,38%), e reduções em Brasília (-4,63%) e Florianópolis (-0,91%). A comparação anual é restrita a 17 capitais, pois o Dieese não realiza levantamentos mensais em Boa Vista, Cuiabá, Macapá, Maceió, Manaus, Palmas, Porto Velho, Rio Branco, São Luís e Teresina.

O feijão subiu em todas as cidades. O grão preto, pesquisado na Região Sul, Rio de Janeiro e Vitória, variou entre 1,68% em Curitiba e 7,17% em Florianópolis. O grão carioca, nas demais capitais, aumentou de 1,86% em Macapá a 21,48% em Belém. Esses aumentos decorrem de restrições de oferta, dificuldades na colheita, redução de área na primeira safra e expectativa de menor produção na segunda safra.

Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), explicou que as chuvas prejudicaram a produção no Paraná e na Bahia, reduzindo colheitas. No Mato Grosso do Sul, excesso de chuvas forçou substituições por variedades para exportação. O feijão carioca é vendido a R$ 350 por saca, com possível queda a partir de agosto, enquanto o preto está em R$ 200 a 210, mas pode inverter preços em 2026 devido à menor plantação.

A Conab estima produção superior a 3 milhões de toneladas, com avanço de 0,5% em relação ao ciclo 2024/2025. Impactos de fertilizantes e combustíveis ainda não foram sentidos, aumentando incertezas sobre preços globais de alimentos.

O Dieese calculou o salário mínimo ideal, considerando a cesta mais cara em São Paulo e custos básicos para uma família de quatro pessoas: R$ 7.425,99 em março, equivalente a 4,58 vezes o piso vigente, ante R$ 7.164,94 (4,42 vezes) em fevereiro e R$ 7.398,94 (4,87 vezes) em março de 2025, quando o mínimo era R$ 1.518,00.

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