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Economia

Cepal recomenda "acelerar o passo" pelo desenvolvimento sustentável

Arquivo Geral

07/08/2007 0h00

A Comissão Econômica Para a América Latina (Cepal) recomendou hoje que os Governos da região “acelerem o passo” para conseguir um desenvolvimento sustentável que permita enfrentar a pobreza, information pills a desigualdade, information pills a exclusão social e o desemprego.

A afirmação foi feita hoje em entrevista à Efe pelo secretário-executivo da Cepal, o argentino José Luis Machinea, que participa em Quito da 10ª Conferência Regional sobre a Mulher na América Latina e no Caribe, organizada pela Cepal.

Segundo a entidade, a América Latina crescerá 5% este ano e 4,6% em 2008.

Essa desaceleração se deve, “em parte”, ao fato de que alguns países superaram crises muito fortes no início da década e depois cresceram entre 7% e 8 %, índices difíceis de sustentar com os níveis de investimento atuais, disse Machinea.

Ele acrescentou que entre 1980 e 2002 o crescimento do PIB per capita na região foi de apenas 3% – ou seja, “estagnou”. Por isso, se agora cresce 3% por ano, é melhor mas “não é suficiente”.

Por isso, ressaltou Machinea, “é preciso acelerar o passo” e buscar que o crescimento seja sustentável.

Para o secretário da Cepal, a América Latina tem dois desafios. O primeiro é “como melhorar a questão social, a pertinência a um projeto comum, que não há, porque há desigualdade e as pessoas se sentem excluídas do acesso a educação, a saúde, a habitação”.

“A desigualdade não permite coesão social” nem gera a confiança da sociedade nas instituições estatais, muitas vezes afetadas pela corrupção, acrescentou.

Machinea ressaltou que é necessário criar um sentimento de pertencimento a um projeto comum, com instituições fortes que o empurrem.

Para o diretor da Cepal, a única maneira de conseguir um desenvolvimento sustentável é “investindo mais e agregando mais conhecimento” à produção, o que significa melhorar a educação, não só em cobertura mas em qualidade. “A qualidade da educação, atualmente, é ruim”, comentou.

É preciso que os estados dediquem “muito mais recursos à pesquisa, aos estudos; é preciso inovar ou adaptar” a ciência e a tecnologia ao desenvolvimento regional, através de políticas públicas de incentivo, cotou.

Isso, aparentemente, “são custos no curto prazo, mas os benefícios são vistos a longo prazo”, explicou Machinea. Ele também não se assusta com o fato de que na América Latina haja Governos de orientação esquerdista que tenham mudado as regras na relação entre Estado e mercado.

Citou como exemplo o fato de que o investimento estrangeiro direto no Brasil bateu recorde no ano passado e foi muito alto no Uruguai.

No entanto, admitiu que os projetos de nacionalização de recursos naturais “podem criar nervosismo”.

“O que é preciso ver são as novas regras do jogo, nas quais (o investidor) tem que se movimentar e fazer algo” para conseguir o mercado nas novas condições, disse.

“No curto prazo poderia haver nervosismo, mas se forem garantidas as regras de jogo, com o tempo vão ter investimento”, disse.

“Não acho que exista uma incerteza generalizada”, embora “a mudança de regras permanentes” possa afetar a entrada de capitais, reconheceu.

“A grande riqueza da América Latina, na atualidade, é a diversidade”, com Governos que vão desde a esquerda até a centro-direita, todos com preocupações similares, acrescentou.

“Acho que há uma tendência geral, além das tendências particulares, que tem a ver com as exigências das pessoas pela desigualdade, que continua sacudindo claramente a região”, afirmou Machinea.

No entanto, na América Latina, ao contrário de décadas passadas, “há mais disciplina macroeconômica”, assim como um “maior equilíbrio entre Estado e mercado, maior desenvolvimento pelos temas sociais, maior presença de mulheres na vida política”.

“Há sinais positivos, mas não são suficientes, levando em conta o nível de desafios da região”, concluiu Machinea.

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