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Economia

Casas de análise projetam alta de até 45% para a Bolsa com vitória de Flávio Bolsonaro

BTG Pactual afirma que as ações brasileiras negociam atualmente a cerca de dez vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, excluindo Petrobras e Vale

Redação Jornal de Brasília

05/10/2026 18h46

Bolsa de Valores

Foto: Pixabay

JÚLIA GALVÃO, MATHEUS DOS SANTOS E JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS


Diferentes casas de análise projetam uma valorização relevante das ações brasileiras caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, marcado para o próximo dia 25. As estimativas variam de 11% a 45%, dependendo do nível de reprecificação considerado e da implementação de um ajuste fiscal.

Em relatório divulgado nesta segunda (5), o BTG Pactual afirma que as ações brasileiras negociam atualmente a cerca de dez vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses (Preço/Lucro Projetado), excluindo Petrobras e Vale. O indicador compara o preço das ações com o lucro esperado das empresas e é usado para avaliar se os papéis estão mais caros ou baratos em relação ao histórico.

Segundo o banco, esse múltiplo está abaixo da média histórica e uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia levar a Bolsa de volta à média dos últimos dez anos, o que representaria uma valorização de 11% a 20%.

Em um cenário ainda mais positivo, no qual o mercado avançasse para um desvio-padrão acima da média histórica, a alta poderia chegar a 32% a 45%. O desvio-padrão é uma medida que mostra o quanto os valores costumam se afastar da média.

O BTG afirma que esse movimento seria impulsionado pela expectativa de medidas mais decisivas para enfrentar os desequilíbrios fiscais do país. Entre os setores que poderiam se beneficiar mais, segundo o banco, estão varejo, construtoras de médio e alto padrão e empresas ligadas ao mercado de capitais.

O UBS também vê espaço para uma valorização superior a 30%. Em relatório, a instituição afirma que, caso o cenário de ajuste fiscal se confirme, as ações brasileiras poderiam passar por uma reprecificação ao longo do tempo e chegar a 11,8 vezes o lucro, um nível que seria equivalente a um desvio-padrão acima da média histórica.

Segundo o banco, a queda dos juros reais e o impacto sobre as expectativas de lucro poderiam resultar em uma alta de mais de 30% para o índice nos próximos meses.

O UBS também diz que o resultado do primeiro turno aumentou a probabilidade de um cenário de ajuste fiscal “mais profundo e duradouro”, com medidas como uma regra de gastos mais rígida, reformas das despesas obrigatórias e uma trajetória de superávit primário considerada confiável pelo mercado.

O Morgan Stanley também vê potencial para uma alta expressiva. Em um cenário otimista, a instituição afirma que o mercado brasileiro pode se aproximar da meta de 250 mil pontos para o Ibovespa no curto prazo, o que representaria uma valorização de cerca de 30% até o fim do ano, caso permaneça a perspectiva de uma mudança na política econômica.

“Os desafios fiscais do Brasil são substanciais. A economia do país apresenta o menor -ou um dos menores- níveis de investimento em relação ao PIB da América Latina. No segmento de portfólio ou no canal financeiro, os brasileiros nunca investiram tão pouco em ações locais”, afirma o banco.

O banco afirma, porém, que a disputa eleitoral continua apertada e que o mercado deverá voltar a atenção para a agenda fiscal do próximo governo após o segundo turno. Em seu cenário otimista para 2027, o Morgan Stanley ainda vê o dólar em R$ 4,50.

O JPMorgan também trabalha com uma reprecificação das ações brasileiras. O cenário-base da instituição para o MSCI Brazil, índice que acompanha uma carteira de ações brasileiras usada como referência por investidores internacionais, considera uma expansão de cerca de 20% a 25% no múltiplo P/L (preço/lucro) projetado para os próximos 12 meses.

Segundo o banco, aproximadamente metade desse movimento poderia ocorrer já no curtíssimo prazo, o que equivaleria a uma alta de 10% a 11%. A outra metade dependeria do resultado da eleição, de maior clareza sobre o plano macroeconômico, da composição da equipe ministerial, de avanços na redução dos juros e de um cenário externo relativamente favorável.

O QUE DIZEM OS ANALISTAS?

Na votação do último domingo (4), Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula. Os números de Flávio foram superiores às estimativas das pesquisas eleitorais e fizeram com que o mercado já registrasse uma forte valorização nesta segunda (5). O Ibovespa fechou em alta de 7,70%, aos 206.911 pontos, no maior patamar da história, e o dólar fechou em queda de 4,11%, cotado a R$ 5,001.

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a manutenção desse movimento positivo para a Bolsa dependerá de um avanço efetivo na agenda de ajuste fiscal, independentemente do candidato eleito.

Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, diz que o que pode fazer o humor dos investidores mudar é a percepção de que o próximo presidente não vai se comprometer com uma política econômica responsável do ponto de vista fiscal, que permita uma queda sustentável do nível atual de juros. “Se a lição de casa for feita do lado fiscal, há potencial para os ativos locais subirem ainda mais”, diz a especialista.

Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, afirma que considera o movimento desta segunda compatível com o cenário. Segundo ele, a alta reflete um movimento que estava represado, diante de um cenário anterior de risco de dominância fiscal.

“Claro que a gente vai ver muita volatilidade até o final do ano e nos primeiros 100 dias de governo. Mas, do ponto de vista de valuation, essa alta é, sim, sustentável e não vejo como um grande exagero. Ainda assim, a gente pode ver nos próximos dias uma realização desse lucro”, afirma.

Pletes diz ainda que uma projeção de alta de 30% para o Ibovespa até o fim do ano seria possível, mas a projeção deve ser observada com cautela diante das limitações para a execução de medidas em 2027.

Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, também diz que parte do movimento reflete a euforia dos investidores, mas também mostra que a Bolsa brasileira estava em um nível considerado barato. Segundo ele, investidores institucionais já demonstravam interesse pelo Brasil, mas as preocupações fiscais acabavam afastando parte desse fluxo.

Para Ricardo Salim, analista da Lumi Research, o principal risco para os investidores que apostam na alta é uma frustração com a trajetória fiscal. Se o mercado perceber que a melhora esperada não se materializa ou que as despesas continuam crescendo sem uma contrapartida suficiente pelo lado das receitas, pode haver uma recomposição do prêmio de risco e uma reversão parcial do movimento.

Além disso, Ricardo Farias, gestor de multimercado e renda fixa do Fator, diz que o próximo passo para sustentar o movimento positivo será a apresentação de planos e projetos de governo. Segundo ele, até agora os dois lados da disputa não discutiram de forma concreta seus planos, e será importante conhecer os nomes que ocuparão os ministérios, principalmente nas áreas econômicas e na Casa Civil.

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