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Economia

Cartão de crédito: R$ 7,5 bilhões no rotativo

Arquivo Geral

17/10/2009 0h00

A voracidade do setor de cartões, com a cobrança de juros que ultrapassam os 14% ao mês, e o descontrole dos brasileiros, que enfrentam dificuldades para administrar suas contas, são as principais razões da elevada inadimplência nessa modalidade de crédito: 28,3%. Isso significa dizer que de um total de dívidas que somam R$ 26,5 bilhões, R$ 7,5 bilhões estão em atraso, no rotativo, sujeitas às taxas mais extorsivas do mercado. Nas associações e institutos de defesa do consumidor, o números de pessoas que procuram ajuda para resolver problemas com a fatura do cartão aumentou 40% este ano.

Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), há mais de 524 milhões de unidades de cartões (crédito, débito, loja e rede) espalhados pelas carteiras dos brasileiros. Em 2008, a indústria de cartões movimentou mais de R$ 375,4 bilhões em transações. A maior parte desse montante ficou concentrada nos cartões de crédito.
Para o presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior, o consumidor “está fora do mercado porque entrou no crédito rotativo, paga juros absurdos e não consegue sair dessa armadilha”. Segundo Pellizzaro, “não existe negócio que suporte esse patamar de juros”, observando que o consumidor é induzido pela forma como é apresentada a fatura do cartão ao pagamento mínimo, jogando o saldo para o rotativo.

Regras
Não é por menos que o governo deve divulgar, ainda este mês, uma série de normas para regulamentar o setor. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) faz forte pressão junto ao governo para frear a tentativa da área técnica do Banco Central e do Ministério da Fazenda de fazer uma regulamentação mais intervencionista. Insatisfeitos com a forma como a Abecs conduziu o processo até agora, os presidentes dos quatro maiores bancos privados do País partiram para negociações diretas com o governo.

A maior preocupação dos banqueiros é evitar que o governo proponha o fim da chamada “verticalização” do setor, modelo de negócios pelo qual as empresas de cartão de crédito controlam todo o processo (duas sao responsáveis por 90% do mercado): credenciamento, fornecimento de terminais de pagamento, captura e processamento de transações, compensação e liquidação. Uma opção nessa direção implicaria mudanças societárias nas empresas, com divisão de negócios e provável perda de rentabilidade.

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