A Câmara dos Estados Unidos aprovou durante a madrugada a proposta de extensão por dois anos da lei da era Bush de cortes de impostos para pessoas físicas e jurídicas. A proposta agora será enviada ao presidente Barack Obama para assinatura. A lei foi aprovada após a meia-noite pelo horário de Washington, por 277 votos a favor e 148 votos contra.
Por mais dois anos, permanecerão em vigor as atuais alíquotas de imposto sobre a renda das pessoas físicas, que varia de 10% a 35%. Trata-se de uma reversão na postura da campanha de 2008 de Obama, que defendeu o aumento dos impostos para as pessoas físicas com rendimento superior a US$ 200 mil. As empresas ganharam a capacidade de deduzir 100% do custo com compra de novos equipamentos até o fim de 2011, em vez de deduzi-los durante sete anos ou mais. Em 2012, esse “bônus” de depreciação cai para 50%.
A lei reduz os impostos sobre a folha de pagamento dos trabalhadores em 2% sobre os salários no ano que vem, reduzindo os impostos em US$ 1,2 mil para o trabalhador que ganha US$ 60 mil. A lei estende o arsenal de corte de impostos para as empresas em 2010 e 2011, incluindo benefício fiscal para atividades de pesquisa e um corte no imposto sobre depreciação para varejistas e complexos automobilísticos.
Economistas dizem que os novos e temporários cortes de impostos previstos na lei devem oferecer um modesto impulso à economia, particularmente por meio do corte por um ano do imposto sobre a folha de pagamento. Os líderes democratas lamentaram a extensão do corte dos impostos para os mais riscos, mas disseram que foram compelidos a pedir aos membros do partido a votar a favor da proposta para evitar aumento dos impostos para a classe média.
Déficit
A extensão do corte dos impostos sobre a renda para todos os contribuintes irá ampliar o déficit norte-americano em US$ 363,5 bilhões, segundo a comissão de impostos do Congresso. Desse total, US$ 274,5 bilhões referem-se ao custo da extensão do corte dos impostos para as pessoas com renda de US$ 200 mil ou abaixo disso e casais com renda de US$ 250 mil ou abaixo disso. O custo de estender os cortes para pessoas com renda acima do piso de renda é de US$ 89 bilhões. O custo total do pacote, após adicionando os benefícios aos desempregados e as extensões de outros cortes de impostos, chega a US$ 858 bilhões em dez anos.
A lei foi aprovada na Câmara após a retirada de uma emenda do republicano Earl Pomeroy, que elevaria um imposto estadual, exigindo nova ação do Senado. Uma ala dos democratas, sob influência dos representantes Anthony Weiner e Peter Welch, também atrasou a votação por horas, bloqueando uma moção de procedimento. Eles exigiam uma votação separada de um alternativa para incluir algumas das prioridades dos democratas, como pagamentos para despesas com custo de vida aos idosos entre os que recebem benefícios da previdência social. Mas desistiram para evitar que a aprovação da lei fosse atrasada. O presidente Obama vinha fazendo lobby junto aos parlamentares para que a lei fosse aprovada rapidamente. As informações são da Dow Jones.