MARIA CLARA MATOS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O conselho de administração do BRB (Banco de Brasília) marcou uma assembleia-geral para votar a adoção de medidas judiciais contra ex-administradores que sejam responsáveis por eventuais prejuízos causados por operações com o banco Master e a corretora Reag.
A assembleia-geral extraordinária vai acontecer em 24 de agosto, às 10h, de forma virtual. As medidas adotadas seriam no âmbito civil, diz o comunicado ao mercado. Acionistas que queiram participar precisam se cadastrar até o dia 22 de agosto.
O BRB não mencionou nomes de ex-administradores que podem vir a ser processados pelo banco.
A Folha procurou a assessoria do BRB para um posicionamento às 08h09 por email, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.
Segundo o conselho, a medida acontece “visando à reparação financeira causada ao patrimônio social e moral em decorrência das operações realizadas com o ecossistema Banco Master/REAG, no contexto dos fatos apurados na Operação Compliance Zero”.
Pela lei, o BRB só pode processar ex-administradores para pedir ressarcimento de prejuízos se os acionistas aprovarem a medida em assembleia. O banco estatal afirma ainda que há elementos que, em tese, permitem atribuir responsabilidade civil aos envolvidos, como possíveis violações de deveres legais ou de gestão, a existência de prejuízos e a relação entre essas condutas e os danos sofridos.
O BRB está em uma corrida para cobrir o rombo bilionário deixado pelo Master. Segundo as investigações, a instituição do Distrito Federal comprou R$ 12,2 bilhões em créditos falsificados do Banco Master, de Daniel Vorcaro, apesar de ter declarado ter recuperado parte do valor.
De acordo com o Banco Central, o montante necessário para a instituição cobrir as perdas decorrentes dos negócios poderia superar R$ 5 bilhões, em razão da baixa qualidade dos ativos.
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso pela PF em abril deste ano sob acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Costa esteve no cargo entre o final de janeiro de 2019 e novembro de 2025. À época, a defesa dele disse que Costa não praticou nenhum crime e que prisão foi exagero por parte da Justiça.