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Economia

BRB avalia acessar linha de liquidez do Banco Central para reforçar caixa

Para administrar essa questão de liquidez, o BRB tem vendido carteiras de crédito a instituições privadas

Redação Jornal de Brasília

02/04/2026 19h54

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Foto: Divulgação/BRB

ADRIANA FERNANDES E NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O BRB (Banco de Brasília) estuda acessar uma linha de liquidez do Banco Central para reforçar seu caixa diante da crise enfrentada após rombo deixado por operações com o Banco Master.

Chamadas de LFL (Linhas Financeiras de Liquidez), essas linhas não foram acessadas até agora pelo banco estatal do Distrito Federal. Elas funcionam como empréstimos garantidos por uma variedade de ativos das instituições financeiras, incluindo títulos corporativos como debêntures e notas comerciais. Juros e amortizações relacionados a esses títulos são transferidos para uma conta de garantia no BC.

Segundo pessoas a par do tema, ouvidas pela reportagem na condição de anonimato, o BRB está em tratativa para que o BC aceite as suas carteiras de crédito como elegíveis às regras de concessão dessa linha. De acordo com um interlocutor, o banco poderia ter acesso a cerca de R$ 300 milhões.

Nessas linhas, os ativos usados como garantia devem ser registrados nas Centrais Depositárias de Ativos Financeiros e de Valores Mobiliários.

Desde julho de 2024, segundo informações do BC, também são aceitas CCB (Cédulas de Crédito Bancário), representando operações de crédito para empresas. Nesse caso, juros e amortizações ficam mantidos nas próprias instituições financeiras, não sendo transferidos como garantia em espécie para o BC.

O BRB vem enfrentando problemas de liquidez em meio a uma crise de credibilidade após a descoberta de que o banco comprou R$ 12,2 bilhões de carteiras sem lastro do Master.

As perdas não foram integralmente cobertas com as transferências dos ativos repassados pelo banco de Daniel Vorcaro. Boa parte desses ativos usados para compensar as carteiras de crédito fraudadas também era de baixa qualidade.

Para administrar essa questão de liquidez, o BRB tem vendido carteiras de crédito a instituições privadas.

Mas os bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, não foram autorizados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a fazer esse tipo de operação.

Nesta segunda-feira (30), a governadora do DF, Celina Leão (PP), tratou da crise financeira do BRB com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em conversa por telefone. Segundo o chefe da equipe econômica, uma eventual federalização do banco não tem o aval da pasta, mas Caixa e BB podem comprar ativos do banco do DF.

Para o BRB, o acesso à linha financeira de liquidez do BC significa um recurso com custo mais barato do que as operações com os bancos. O tema está sendo tratado pela instituição do Distrito Federal, de acordo com um negociador que falou na condição de anonimato, sob uma ótica de contingência, com custo de captação que seja aderente às linhas de crédito do banco,

A linha poderá ser acessada paulatinamente com as garantias das carteiras de crédito. Procurado, o BRB não comentou o pedido de informação feito pela reportagem sobre as negociações.

De acordo com um interlocutor com conhecimento do assunto, todo banco tem um limite estabelecido nessas linhas financeiras de liquidez. Em caso de necessidade, a instituição pode solicitar a elevação desse teto. O aumento, contudo, depende de aval da diretoria colegiada do Banco Central.

O BRB já tem linhas abertas com bancos privados, o que até agora tem garantido liquidez para honrar os compromissos do banco em meio à crise.

O banco necessita de um aporte de capital, que ainda não foi implementado pelo controlador do BRB, o governo do Distrito Federal. Como mostrou a reportagem, o presidente do BRB disse que a capitalização do banco será feita até o dia 30 de maio -antes do prazo limite de 180 dias dado pelo BC, que termina em 5 de agosto.

Se não se adequar às regras prudenciais, o BRB corre o risco de sofrer drásticas sanções do regulador. A situação do banco ficou mais complicada após o adiamento da divulgação do balanço de 2025, que deveria ter sido publicado na última terça (31), conforme prazo legal para companhias de capital aberto.

O BRB convocou para o dia 22 de abril uma nova assembleia geral extraordinária para votação da proposta de aumento de capital social do banco. O aporte sugerido pelo banco a seus acionistas é de até R$ 8,817 bilhões. Conforme a estrutura definida, a subscrição mínima será de R$ 536 milhões.

Atualmente, o capital social do BRB é de R$ 2,344 bilhões. Considerando o valor mínimo, ele subiria para R$ 2,88 bilhões. No caso do máximo, o capital saltaria para R$ 11,161 bilhões.

Será emitido um total de até 1,083 bilhão de ações ordinárias, todas escriturais e sem valor nominal, e 561,87 milhões de ações preferenciais. O preço de emissão das novas ações será fixado em R$ 5,36.

A oferta de ações do BRB será feita por meio de subscrição privada, modelo em que a compra só pode ser efetivada por quem já integra a base de acionistas do banco.

No detalhamento da proposta, a instituição afirma que os recursos do aumento de capital serão destinados “ao reforço do patrimônio líquido e do patrimônio de referência da companhia, com o objetivo de manter os índices de capitalização regulamentares e seu enquadramento prudencial.”

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