Menu
Economia

Brasil registra segunda maior saída de dólares em 2025: US$ 33,3 bilhões

Fluxo cambial negativo é impulsionado por evasão no canal financeiro, apesar de entrada positiva no comércio.

Redação Jornal de Brasília

07/01/2026 18h32

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Brasil registrou em 2025 a segunda maior saída líquida de dólares da série histórica, iniciada em 1982, com um fluxo cambial total negativo de US$ 33,316 bilhões, segundo dados preliminares divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (7). Esse volume é inferior apenas ao registrado em 2019, quando a saída somou US$ 44,768 bilhões.

O resultado negativo foi principalmente impulsionado pelo canal financeiro, que acumulou uma saída líquida de US$ 82,467 bilhões, a segunda maior da série histórica, atrás apenas de 2024. Esse canal engloba investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros, pagamentos de juros e outras operações financeiras. Em contrapartida, o canal comercial apresentou uma entrada líquida de US$ 49,151 bilhões, insuficiente para compensar a evasão financeira. Esse saldo positivo é menor que o pico de 2007 e também inferior ao de 2024.

O principal fator para a menor entrada de dólares pelo comércio foi o aumento das importações, com o volume de câmbio contratado para compras externas alcançando US$ 238 bilhões, o segundo maior da série, atrás apenas de 2022. As exportações somaram US$ 287,5 bilhões no ano. O fluxo cambial inclui operações como pagamentos antecipados e adiantamentos de contrato de câmbio, diferentemente da balança comercial, que considera apenas transações realizadas.

Apesar da saída expressiva de dólares, o real se valorizou ao longo de 2025, sustentado por juros elevados no Brasil e pelo enfraquecimento global do dólar. Isso estimulou posições favoráveis à moeda brasileira no mercado de derivativos, compensando o fluxo cambial negativo. O Banco Central atuou de forma limitada no mercado à vista, com apenas duas intervenções de US$ 1 bilhão cada, via mecanismo de ‘casadão’, que combina venda de dólares das reservas com swaps cambiais reversos, aliviando a taxa de juros em dólar sem impactar o câmbio.

Em dezembro, o fluxo cambial ficou negativo em US$ 13,562 bilhões, menor que os US$ 27 bilhões de saída no mesmo mês de 2024. O resultado reflete uma saída de US$ 20,982 bilhões pela conta financeira, parcialmente compensada por uma entrada de US$ 7,421 bilhões no comércio. A intensificação das remessas em dezembro foi influenciada pela antecipação ao fim da isenção de imposto de renda sobre remessas internacionais, que começou a ser tributada em janeiro de 2026.

O fluxo cambial serve como prévia do balanço de pagamentos, divulgado mensalmente pelo BC, e é composto pelo fluxo comercial (fechamentos de câmbio para exportações e importações) e pelo fluxo financeiro (investimentos, empréstimos e transações financeiras). Os dados confirmam que, em 2025, a fuga de dólares ocorreu predominantemente no canal financeiro.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado