O Brasil aumentou hoje a quantidade de energia que exporta para a Argentina a pedido do presidente Néstor Kirchner, mind para ajudar o país vizinho a superar sua crise energética, case informou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O Brasil, que exportava cerca de 600 megawatts à Argentina, elevou esta quantidade na madrugada de hoje a 700 megawatts e continuará aumentando o valor progressivamente até cerca de 1.050 megawatts no sábado.
“A exportação chegará a um máximo de mil megawatts devido ao fato de a capacidade de interconexão entre os dois países estar limitada a este volume, mas serão enviados outros 50 megawatts através do Uruguai”, afirmou a assessoria do ONS, responsável pela administração do sistema de interconexão elétrica do Brasil.
A companhia informou que a energia enviada será apenas a que estiver sobrando no Brasil e que o valor cobrado ao país vizinho será um pouco maior que o preço de custo.
Para conseguir aumentar o envio de energia ao país vizinho, o ONS determinou a entrada em operação das usinas termoelétricas alimentadas com diesel que estavam desativadas temporariamente ou que estavam operando abaixo de sua capacidade.
Duas destas usinas, a Araucária, com 450 megawatts, e a TermoRio, com 150 megawatts, são da Petrobras, e uma terceira, a de Igarapé (150 megawatts), pertence à Cemig.
Estas geradoras estavam produzindo abaixo de sua capacidade ou estavam desativadas porque, por serem alimentadas com diesel, o preço de sua energia é maior que o da média no país.
Enquanto a energia que será exportada à Argentina tem um preço de custo de quase R$ 200 por megawatt, a energia consumida no Brasil, proveniente principalmente de hidrelétricas, custa cerca de R$ 135 por megawatt.
As usinas que exportarão à Argentina poderão destinar ao país vizinho uma energia cara que atualmente não tinha demanda no Brasil.
Segundo o ONS, o Brasil exportará energia até quando houver demanda por parte da Argentina, o que deve durar cerca de dois meses, durante o inverno.
A decisão de aumentar a venda de energia à Argentina foi tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após Kirchner ter pedido a ajuda dos países vizinhos na Cúpula do Mercosul realizada na semana passada, em Assunção. Na quarta-feira, o presidente da Argentina agradeceu publicamente o gesto brasileiro.
Os especialistas afirmam que o sistema energético argentino está no limite de sua capacidade devido à falta de investimentos necessários para compensar o forte aumento da demanda devido ao crescimento econômico vivenciado pelo país nos últimos anos.
Os problemas ficaram maiores pelo fato de a escassez de chuvas ter reduzido ao mínimo a produção de eletricidade das represas do sul da Argentina e da usina de Salto Grande, compartilhada com o Uruguai.