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Economia

Brasil exporta US$ 2,9 bi ao Irã em 2025 apesar de tarifas de Trump

O comércio bilateral somou quase US$ 3 bilhões, impulsionado pelo agronegócio, mas a medida americana gera alerta para o setor brasileiro.

Redação Jornal de Brasília

13/01/2026 7h16

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Foto: Pedro MATTEY / AFP

O Brasil registrou um comércio bilateral com o Irã de quase US$ 3 bilhões em 2025, com exportações dominando o fluxo. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) indicam que as vendas brasileiras para Teerã totalizaram US$ 2,9 bilhões, posicionando o país persa como o quinto principal destino das exportações nacionais no Oriente Médio.

Embora o Irã ocupe a 31ª posição no ranking geral de destinos das exportações brasileiras, as vendas para lá superaram volumes destinados a mercados como Suíça, África do Sul e Rússia. O agronegócio foi o carro-chefe da relação comercial, com milho e soja respondendo por 87,2% das exportações. O milho sozinho representou 67,9% do total, com mais de US$ 1,9 bilhão em vendas, enquanto a soja contribuiu com 19,3%, totalizando cerca de US$ 563 milhões. Outros produtos incluem açúcares, confeitaria, farelos de soja e petróleo.

As importações do Irã pelo Brasil foram bem menores, somando US$ 84 milhões, com ênfase em adubos e fertilizantes (79% do total), além de frutas, nozes, pistaches e uvas secas.

A relação comercial tem oscilado nos últimos anos: as exportações atingiram pico de US$ 4,2 bilhões em 2022, recuaram em 2023 e cresceram em 2024 e 2025. As importações variaram mais, com quedas acentuadas em 2023 e recuperação no ano passado.

O cenário ganhou tensão com o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta segunda-feira (12), de tarifas de 25% sobre países que mantêm relações comerciais com o Irã. A medida seria aplicada a todas as transações com os EUA por esses países e entraria em vigor imediatamente, embora detalhes formais ainda não tenham sido divulgados pela Casa Branca.

O alerta é para o agronegócio brasileiro, principal beneficiário do comércio com Teerã. O governo federal informou que aguardará a publicação da ordem executiva americana para se posicionar oficialmente.

Paralelamente, há iniciativas diplomáticas fortalecendo laços. Em abril de 2024, o ministro da Agricultura do Irã visitou o Brasil e reuniu-se com o ministro Carlos Fávaro, acordando a criação de um comitê agrícola bilateral para agilizar pautas comuns e ampliar intercâmbio técnico. O Irã também expressou interesse em instalar uma empresa de navegação no país para reduzir custos logísticos. Desde agosto de 2023, o Irã integra o Brics, grupo do qual o Brasil é membro fundador.

A possível tarifa ocorre em meio a tensões crescentes entre Washington e Teerã, incluindo ameaças mútuas, repressão a protestos no Irã e discussões sobre negociações, sem descartar agravamento do conflito.

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