O Brasil advertiu hoje que a demanda de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) supera seu limite anual de empréstimos em US$ 8 bilhões, store o que representa um fator de risco em momentos em que a América Latina se prepara para enfrentar os possíveis efeitos das turbulências financeiras externas.
Paulo Bernardo, ministro do Planejamento do Brasil, fez esta advertência durante a 49ª Assembléia Anual de Governadores do BID que termina hoje em Miami.
“Isso significa, senhores, que a capacidade creditícia do Banco está comprometida em um momento crítico para a região. Recomendamos à administração que promova um debate imediato sobre alternativas financeiras que aumentem a capacidade de intervenção do Banco”, argumentou o ministro.
O BID registrou um recorde histórico em seu programa de empréstimos ao aprovar um volume total de financiamento de US$ 9,6 bilhões, em 2007, segundo o relatório anual do organismo multilateral divulgado na segunda-feira.
Paulo Bernardo preveniu que preservar a qualidade creditícia do BID deve ser o principal parâmetro do debate, mas considerou que “o alcance e a flexibilidade devem ser seus objetivos primordiais”.
“Alcance para cobrir as atividades tradicionais do Banco e atender a novos agentes do desenvolvimento regional (…) Flexibilidade para eliminar as restrições menos importantes e anacrônicas entre os instrumentos do programa”, explicou.
É igualmente importante que no BID haja condições competitivas de crédito em termos de custo e prazo para que o setor privado contribua para o crescimento sustentável, apontou.
“Hoje sua reivindicação supera, em muito, a oferta de crédito de nossa instituição. Reafirmo a necessidade de ampliarmos a capacidade operacional do Banco também nesse setor”, sustentou.
“Acho que deveríamos nos impor o desafio de implementar um aumento gradual, mas importante, do volume destinado ao financiamento sem garantia soberana”, propôs o ministro brasileiro.
Paulo Bernardo insistiu na importância de criar instrumentos em moeda local com prazos e custos atrativos para os clientes públicos e privados do Banco.
Além disso, recomendou que, a partir do exemplo do Banco Mundial, o BID avance na adoção de sistemas nacionais na execução de suas operações, com o objetivo de reduzir seus custos não financeiros.