Economia

Bolsonaro diz que ‘mafiosozinhos’ lucraram com especulações sobre interferência na Petrobrás

A decisão de trocar o presidente da Petrobras desagradou o mercado e gerou a debandada de conselheiros na maior estatal brasileira

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que “especuladores mafiosozinhos que tem em tudo quanto é lugar” ganharam dinheiro na Bolsa de Valores “falando mentiras” sobre a interferência dele na Petrobras.

“Não houve interferência. Eu não falei vou baixar o preço na canetada. Me acusaram de tudo, (de) intervencionista”, disse em sua live semanal transmitida pelas redes sociais.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) detectou movimentação atípica em operações na Bolsa sugestivas de que investidores detinham informação privilegiada sobre mudança no comando da Petrobras antes de ter sido anunciada pelo presidente.

A operação foi noticiada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. De acordo com a jornalista, as operações foram executadas por meio da corretora Tullett Prebon.

Procurada, a Tullett Prebon não retornou o contato da reportagem.

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Uma das formas para se ganhar dinheiro com a desvalorização de um ativo é a compra de uma opção de venda de ação. Esta operação permite que o investidor ganhe dinheiro mesmo que a ação em si desvalorize.

Contratos de opções são uma forma do investidor se proteger contra bruscas oscilações do mercado. Quem compra uma opção de venda adquire o direito de vender uma determinada ação, em uma data e preço pré-determinados.

No caso da operação com a Petrobras, o contrato de opção de venda foi feito na quinta-feira (18), pregão em que a ação fechou cotada a R$ 29,27. O contrato vencia na segunda (22), e dava o direito a vender a ação a R$ 26,50.

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Para exercer a opção e vender as ações a R$ 26,50, o investidor teria que comprá-las no dia do vencimento. Ou seja, a operação só seria lucrativa se a ação estivesse sendo negociada abaixo de R$ 26,50 no dia 22, o que representaria uma queda de 9,50% em relação à cotação do dia 18.

No pregão de 18 de fevereiro, uma quinta-feira, ocorreram duas grandes compras de contratos de opção de venda das ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras.

Os primeiros sinais de estresse com a Petrobras, porém, vieram apenas após o fechamento do pregão daquela quinta, na live de Bolsonaro. Na ocasião, ele criticou o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, e disse que promoveria mudanças na companhia.

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Na live desta semana, o presidente voltou a falar sobre a decisão de substituir Castello Branco. Afirmou que a decisão de “botar outro no lugar” é normal e elogiou a atuação do general Joaquim Silva e Luna, seu escolhido para a empresa, como diretor-geral da Itaipu Binacional.

“Agora o general vai chegar na Petrobras e fazer o trabalho que eu gostaria que fizesse, que o outro não fazia”, disse.

A decisão desagradou o mercado e gerou a debandada de conselheiros. A indicação de Luna ao conselho precisa ser ratificada em assembleia de acionistas.

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