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Economia

Bolsa renova recorde intradiário após ata do Copom; dólar cai

O documento reforçou o plano de iniciar o ciclo de cortes de juros na próxima reunião, em março

Redação Jornal de Brasília

03/02/2026 11h59

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A Bolsa dispara nesta terça-feira (3), com investidores ampliando o apetite por risco após a divulgação da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central.

O documento reforçou o plano de iniciar o ciclo de cortes de juros na próxima reunião, em março.

Às 11h24, o Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, avançava 2,08%, aos 186.660 pontos, caminhando para um novo recorde de fechamento. Na máxima do pregão, a Bolsa chegou a 186.661 pontos—um novo recorde intradiário.

No mesmo horário, o dólar recuava 0,89%, cotado a R$ 5,210.

A sinalização do Copom de novos cortes veem, segundo a ata, após melhora da inflação e a aproximação das expectativas em direção à meta de 3%.

“O comitê se aprofundou na discussão sobre calibração da política monetária, no contexto atual de um ambiente de melhora do cenário inflacionário corrente e expectativas de inflação menos distantes da meta, que proporciona maiores evidências sobre a transmissão da política monetária”, afirmou.

O colegiado do BC, contudo, disse que todos os membros concordaram sobre a necessidade de manter a taxa básica (Selic) em um patamar elevado até que se consolide o processo de desinflação e convergência das expectativas ao alvo central. O comitê ressaltou o dinamismo do mercado de trabalho entre os fatores que pressionam os preços.

Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, o documento deixa em aberto o ritmo e o tamanho do ciclo de cortes. “A ata ressalta que é unânime a avaliação da necessidade de uma Selic restritiva —o que é um limitante para o debate de taxas mais baixas. Seguimos, porém, com a visão de que o fluxo de dados ao longo de fevereiro tende a fortalecer o debate de aceleração em algum momento do ciclo”, afirma.

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o tom é semelhante ao do comunicado divulgado logo após a decisão. “Reforça que a trajetória dos juros é de queda, estimulando a Bolsa no país enquanto o diferencial de juros em relação aos EUA permanece consideravelmente elevado'”.

Ela menciona que o “carry trade” do país continua atrativa. Nele, pega-se dinheiro emprestado a taxas mais baixas, como a dos EUA, para investir em ativos com alta rentabilidade, como a renda fixa brasileira.

Assim, quanto mais atrativo o carry trade, mais dólares tendem a entrar no Brasil.
Segundo Davi Lelis, especialista e sócio da Valor Investimentos, o Ibovespa segue subindo por inércia.

“Esse movimento foi reforçado pela divulgação da ata do Copom, que veio em linha com o esperado e indicou que o Banco Central pode iniciar o ciclo de corte de juros. A magnitude dessa queda, no entanto, vão depender da trajetória da inflação até a próxima reunião do comitê”.

Na últimas semanas, o fluxo de investidores estrangeiros para fora das praças norte-americanas tem beneficiado o cenário doméstico —movimento que, em janeiro, foi quase metade de 2025 todo.

“Os cortes de juros no Brasil tendem a ocorrer de forma gradual, enquanto a possível mudança no comando do Banco Central americano pode levar a uma trajetória de juros mais baixa do que o inicialmente esperado— e o país acaba se beneficiando”, diz Lelis.

Kevin Warsh foi indicado ao Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) na sexta-feira (30) por Donald Trump em decisão que dialoga com os ataques recorrentes do presidente norte-americano a Powell, indicado pelo republicano em seu primeiro mandato, em 2017, e reconduzido ao cargo pelo democrata Joe Biden, em 2021.

O indicado deve assumir o cargo em maio, quando acaba o mandato de Jerome Powell. A indicação de Warsh para o cargo precisa ser confirmada pelo Senado até 15 de maio, data que marca o fim do mandato de Powell.

Warsh é visto como um defensor da postura “hawkish” (agressiva no combate à inflação e defensor de juros altos), que vai na contramão do que vem defendendo Trump, que exige a redução dos juros para 1%. Atualmente, a taxa está entre 3,5% e 3,75%.

Declarações de membros da Casa Branca sobre o indicado ao cargo, contudo, defendem que Warsh poderá ser mais flexível na abordagem de juros do que o projetado. “Warsh deverá ter uma postura mais sensível ao crescimento econômico e menos inclinada à manutenção de juros elevados por tempo prolongado”, diz Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.

Ainda no cenário doméstico, a possível indicação do secretário de política econômica da Fazenda, Guilherme Melo, ao Banco Central se mantém no radar dos investidores. Na véspera (2), o nome de Melo foi um dos responsáveis pela alta nos contratos de juros futuros.

Mello tem forte ligação com o PT —trabalhou na formulação do plano econômico do governo Lula— e sua indicação, se confirmada por Lula, sinalizaria influência não apenas de Haddad, mas do partido e do governo no órgão.

Nesta terça, o ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) confirmou, em entrevista, ter indicado a Lula o nome do secretário para a diretoria do BC.

“Depois que o nome de Guilherme Mello passou a circular, a sensação predominante foi de desconforto e cautela, e isso costuma aparecer como juros mais altos nos prazos mais longos, ou seja, o mercado pede uma remuneração maior para emprestar dinheiro ao governo por muitos anos, porque fica mais inseguro”, diz Rafael Lima, CEO da fintech Ótmow.

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