FOLHAPRESS
A Bolsa de Valores tem forte alta nesta terça-feira (12), com os investidores avaliando os dados de inflação no Brasil e EUA, além do aumento de tensões no Oriente Médio.
Por volta das 13h30, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,94%, a 180.247 pontos, diante da maior cautela de analistas com o cenário geopolítico global. Na mínima, a Bolsa caiu 1,08%.
No mesmo horário, o dólar subia 0,16%, cotada a R$ 4,899. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a seis pares fortes, também avançava, com alta de 0,42%.
No Brasil, destaque para os dados da inflação divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta manhã. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou a 0,67% no mês passado, após subir 0,88% em março.
O grupo alimentação e bebidas seguiu pressionando o índice, assim como a gasolina. O setor alimentício tem sofrido o impacto da carestia do óleo diesel após o início da guerra no Irã.
O IPCA serve de referência para a condução da política de juros do BC. Como a inflação deu sinais de trégua antes da guerra no Irã, o BC passou a cortar a taxa Selic, que caiu a 14,5% ao ano em abril. O conflito, contudo, segue sem resolução e, conforme analistas, pode afetar a duração e a intensidade do ciclo de cortes dos juros.
Para André Valério, economista sênior do Inter, o resultado mantém a necessidade de cautela no Copom. “Apesar da desaceleração, ainda vemos fatores que ensejam cuidado na condução da política monetária.
A indefinição acerca do conflito aumenta a pressão nos preços, o que pode gerar contaminação no restante do índice”.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, vê o resultado consolidando a leitura de que o BC (Banco Central) deve seguir com um ritmo de cortes mínimos nos juros. A queda mais lenta da Selic tem desafiado empresas.
“As companhias estão divulgando seus balanços trimestrais, e o pagamento elevado de juros tem pesado nos resultados”, afirma.
Nesta terça-feira, o Grupo Toky, dono das redes de móveis e decoração Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial em meio ao agravamento de sua crise financeira. A solicitação fez com que as ações da empresa derretessem.
Por volta das 13h30, os papéis eram negociados a R$ 0,17, queda de 41% -a maior queda da Bolsa. Na mínima do pregão, as ações chegaram a cair 45%.
Destaque negativo também para Natura, cujas ações chegaram a cair 7%. A queda acontece após a empresa registrar aumento no prejuízo líquido do primeiro trimestre.
Na ponta positiva, Braskem, beneficiada pela recomendação para compra do JP Morgan, e Hapvdia, com balanço considerado superior a projeção de analistas. As ações da petroquímica e da operadora de saúde chegaram a subir 24% e 16%, respectivamente.
Nos EUA, resultados econômicos também repercutem entre analistas, com a divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) de abril.
A inflação do país avançou para 3,8% no mês, seu maior nível em três anos, no acumulado anual, com a pressão da guerra no Irã. Economistas consultados pela Bloomberg esperavam um aumento de 3,7%.
A alta foi impulsionada principalmente pelos preços mais altos nos combustíveis, com a gasolina subindo 28,4% em relação ao ano anterior.
A inflação, divulgada nesta terça-feira (12), é a mais alta desde maio de 2023, quando o país sofria com o choque energético provocado pela invasão da Ucrânia pela Rússia.
Para Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, o processo de redução da inflação norte-americana continua encontrando obstáculos, que devem tornar o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) mais cauteloso.
“Este cenário afasta as expectativas de uma normalização monetária rápida, uma vez que a disseminação da alta de preços em serviços e bens sensíveis a tarifas exige que o banco central americano mantenha condições restritivas por mais tempo”, afirma.
No cenário internacional, analistas ainda repercutem a escalada de tensões entre EUA e Irã.
Na segunda-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo no Oriente Médio “respira por aparelhos”, após rejeitar a contraproposta do Irã para encerrar a guerra.
Trump comparou a situação à de um paciente em estado terminal. “É como quando o médico entra e diz: Senhor, seu ente querido tem exatamente 1% de chance de sobreviver”, afirmou a jornalistas na Casa Branca.
No domingo (10), Trump rejeitou a contraproposta iraniana e classificou o documento como “totalmente inaceitável”. Segundo a imprensa iraniana, Teerã propôs o encerramento imediato da guerra, a suspensão do bloqueio naval imposto pelas forças americanas, garantias de que não haveria mais ataques, e o fim das sanções econômicas, incluindo as restrições de Washington à venda de petróleo do país persa.
Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o mercado reflete as questões geopolíticas.
“Depois de dias de um certo otimismo com um possível desfecho da guerra, temos uma frustração visto que Estados Unidos e Irã não chegaram a um acordo”.
No Brasil, o impacto da continuidade do conflito é misto. Por um lado, o aumento das incertezas ligadas ao petróleo pode gerar um movimento global de fuga de ativos voláteis para ativos seguros, o que prejudica mercados emergentes. Por outro, o real e a Bolsa brasileira são beneficiados pela distância do país em relação ao conflito e pela exposição do país ao petróleo, que está em alta.
O cenário de incerteza volta a pressionar os preços do petróleo, em comportamento similar ao da véspera. Por volta das 13h30, a commodity avançava 3,30%, a US$ 107,69.
A alta freava a desvalorização dos papéis da Petrobras, que recuam após balanço com queda de 7,2% no primeiro trimestre. As ações preferenciais da estatal recuavam 1,72% no começo da tarde.