JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS
Bolsa brasileira está em alta nesta sexta-feira (9) e renovou o recorde intradiário ao atingir a máxima de 209.713 pontos. O recorde anterior havia sido registrado nesta segunda-feira (5), quando o Ibovespa chegou aos 209.605 pontos, no primeiro pregão após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno das eleições presidenciais à frente de Lula (PT).
A alta desta sexta também reflete a repercussão do cenário eleitoral. Na véspera (8), a primeira pesquisa Datafolha feita após a definição da disputa de segundo turno mostrou Flávio com 52% dos votos válidos, ante 48% do presidente Lula. Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos e são usados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para contabilizar o resultado final da eleição.
Às 12h47, o Ibovespa subia 1,34%, aos 208.986 pontos. O dólar, por sua vez, operava em forte queda, também sob influência do cenário eleitoral. No mesmo horário, a moeda recuava 0,87%, cotada a R$ 4,980. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis moedas fortes, subia 0,16%.
O resultado da nova pesquisa é visto com otimismo por parte dos investidores, que associam uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à perspectiva de uma política fiscal mais restritiva. A expectativa é que uma mudança de governo resulte em maior controle dos gastos públicos e medidas para melhorar a trajetória das contas públicas, o que poderia favorecer os ativos brasileiros.
Nesta sexta, os investidores também acompanharam a divulgação dos dados de inflação pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação no país, subiu 0,82% em setembro, após registrar deflação de 0,32% em agosto.
O resultado ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro, de 0,76%, segundo a agência Bloomberg. A alta foi a maior para meses de setembro em cinco anos, desde 2021, quando o índice avançou 1,16%.
Apesar da inflação acima do esperado, a Bolsa manteve a trajetória de alta nesta sexta, impulsionada pela repercussão do cenário eleitoral. Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o dado de inflação poderia ter limitado o apetite por risco, às vésperas do feriado que manterá a B3 fechada na segunda-feira (12).
O resultado também reforça a cautela com a trajetória dos preços e pode reduzir o espaço para cortes da Selic, especialmente se as pressões inflacionárias se mostrarem disseminadas e persistentes.
Christian Meduna, do Banco BV, afirma que o IPCA ficou quatro pontos-base acima da expectativa da instituição, principalmente por causa de variações mais fortes do que o previsto nos preços dos combustíveis, como gasolina e etanol. Outros itens também surpreenderam para cima e para baixo, compensando parte dessas diferenças.
Na alimentação, outro grupo acompanhado de perto pela instituição, a alta ficou abaixo do esperado. Segundo Meduna, o movimento foi influenciado principalmente pelas carnes, tanto bovinas quanto de frango, além dos ovos e de outros alimentos proteicos, cujos preços subiram menos do que o previsto.
No mercado de juros futuros, as taxas dos contratos de longo prazo operavam em baixa nesta sexta, também com a repercussão da pesquisa eleitoral se sobrepondo ao efeito do IPCA acima das expectativas em setembro.
Às 10h04, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 subia 1 ponto-base, a 12,56% ao ano. Na ponta longa da curva, a taxa do contrato para janeiro de 2035 recuava 8 pontos-base, a 12,52% ao ano.
Em Wall Street, as bolsas abriram em alta nesta sexta-feira (9). Às 12h54, o Dow Jones subia 0,56%, o S&P 500 avançava 0,47% e o Nasdaq tinha alta de 0,52%.
Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, diz que o movimento ocorre após uma sessão negativa para as ações de tecnologia na véspera, quando novos detalhes sobre a OpenAI frustraram investidores e pressionaram empresas ligadas à inteligência artificial.
A receita anualizada da OpenAI foi revelada abaixo do que havia sido sinalizado anteriormente, aumentando as preocupações sobre as perspectivas do setor.
O cenário também foi influenciado pela alta do petróleo, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que não pretende fechar um acordo com o Irã para encerrar a guerra. Relatos de preparativos americanos para um possível ataque de grande escala no Oriente Médio ampliaram as tensões, embora Trump tenha dito posteriormente que não haverá ataque antes das eleições de meio de mandato.
Às 11h19, o petróleo Brent, referência internacional, tinha alta de 0,20%, cotado a US$ 104 por barril.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, também ficam no radar dos investidores, em meio às preocupações com a inflação e os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos.
A alta do petróleo pode pressionar os preços e reduzir o espaço para cortes de juros pelo Fed (Federal Reserve, banco central americano). Às 12h55, o rendimento do Treasury de dez anos estava em 5,25% ao ano, alta de 0,38% ante o fechamento anterior.
Bolsa bate recorde intradiário após Datafolha mostrar Flávio à frente de Lula; dólar cai
Às 12h47, o Ibovespa subia 1,34%, aos 208.986 pontos. O dólar, por sua vez, operava em forte queda, também sob influência do cenário eleitoral
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