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Economia

BNDES defende novo Plano Brasil Soberano para exportadores afetados por tarifas americanas

O presidente Aloizio Mercadante destaca setores como siderurgia e automotivo ainda impactados, com R$ 6 bilhões disponíveis no caixa do banco.

Redação Jornal de Brasília

17/03/2026 17h18

BNDES novo Plano Brasil

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu nesta terça-feira (17) a criação de um novo Plano Brasil Soberano para apoiar exportadores prejudicados por tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Lançado em agosto de 2025, o programa original destinou financiamentos a empresas impactadas pelo ‘tarifaço’ americano, que incluiu taxas de até 50% para produtos brasileiros. Embora uma decisão da Suprema Corte dos EUA tenha derrubado parte das medidas em fevereiro, Mercadante alertou que setores como siderurgia, alumínio e cobre ainda enfrentam tarifas de 50%, enquanto o automotivo e autopeças sofrem com taxações de 25%, conforme a Seção 232 da legislação americana, vigente por razões de segurança nacional.

“Quando é para todos, não desequilibra a relação de comércio. O problema é quando você tem uma tarifa superior aos seus concorrentes”, explicou Mercadante durante a apresentação do balanço financeiro de 2025 do BNDES, no Rio de Janeiro. No âmbito do plano original, o banco financiou R$ 19,5 bilhões para 676 empresas, deixando R$ 6 bilhões disponíveis no caixa, sem custo adicional ao orçamento público.

Mercadante sugeriu que esses recursos possam ser devolvidos ao Tesouro Nacional para um novo programa, sujeito à aprovação do Congresso ou via Medida Provisória. Ele mencionou diálogos avançados com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o Ministério da Fazenda e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir o escopo, propondo incluir setores com déficits comerciais e áreas estratégicas afetadas por guerras, como o de fertilizantes, impactado pelos conflitos na Ucrânia e Rússia (iniciado em 2022) e no Irã (2026). “Precisamos ter mais resiliência para poder ter mais capacidade de resposta nesse cenário turbulento geopolítico”, afirmou.

Em outro tema, Mercadante reiterou o empenho do BNDES na recuperação financeira da Raízen, gigante de biocombustíveis que opera postos Shell. A empresa ingressou recentemente com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65,1 bilhões em dívidas. Em janeiro de 2025, o banco aprovou R$ 1 bilhão em financiamento para produção de etanol, e a dívida da companhia com o BNDES possui garantias reais, não incluída na renegociação. “Acreditamos que essa recuperação é possível e estamos trabalhando nessa direção, conversando com credores, Shell, Cosan e parceiros do sistema financeiro”, disse, destacando os ativos da empresa, incluindo cerca de 8 mil postos de gasolina.

Questionado sobre o apoio a empresas diante do possível fim da escala de trabalho 6×1, prevista na Proposta de Emenda Constitucional nº 8/2025, Mercadante indicou que o BNDES está estudando o tema, mas aguardará decisão do governo antes de qualquer iniciativa.

*Com informações da Agência Brasil

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