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Economia

BM e FMI incluem alta dos alimentos na agenda mundial em reunião conjunta

Arquivo Geral

14/04/2008 0h00

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) incluíram na agenda dos líderes mundiais o aumento dos preços dos alimentos durante sua assembléia conjunta, salve que terminou hoje e foi dominada pela crise financeira americana e por seu impacto na economia.


O encontro semestral dos ministros de Economia de 185 nações foi concluído hoje com um pedido urgente de atenção para a alta dos preços de produtos básicos como o trigo e o milho.


Na entrevista coletiva de encerramento das reuniões, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, alertou que o aumento dos preços – de aproximadamente 48% desde o fim de 2006, segundo o FMI- “poderia agravar a pobreza de 100 milhões de pessoas”.


Essa opinião é compartilhada pelo diretor-geral do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, que afirmou que “o que está em jogo é a estabilidade política de muitos países”.


A crise ficou patente no Haiti, onde caiu, no sábado, o Governo do primeiro-ministro Jacques Edouard Alexis, censurado pelo Senado após distúrbios motivados pela falta dos alimentos, que causaram pelo menos cinco mortes.


O Banco Mundial anunciou hoje que destinará US$ 10 milhões a programas alimentícios na nação caribenha.


Além da crise no Haiti, as reuniões em Washington serviram para ressaltar o impacto mundial da alta de preços, e seu potencial para destruir os avanços conseguidos no combate à pobreza nos últimos anos.


Zoellick abriu o encontro com um pedido aos países participantes para que forneçam ao Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas os US$ 500 milhões necessários para responder a emergências.


O chefe do Banco Mundial informou hoje que essa agência já recebeu o compromisso por parte dos doadores de contribuir com a metade dessa quantia.


A médio prazo, a solução estimularia a produção alimentícia, segundo o FMI e o Banco Mundial, que atribuem grande parte do aumento dos preços ao “boom” dos biocombustíveis, que reduziram os cultivos destinados ao consumo humano.


Strauss-Kahn revelou que hoje, no Comitê de Desenvolvimento – órgão conjunto do FMI e do Banco Mundial – alguns ministros chegaram a dizer que usar os alimentos como combustível “era um crime contra a humanidade”.


Os ânimos elevados não fizeram, no entanto, com que os países que dão mais subsídios aos biocombustíveis anunciassem medidas para atenuar esses efeitos.


O comunicado final do Comitê expressou sua preocupação com a alta dos alimentos, mas não fez referência ao tema dos biocombustíveis.


“É irônico o fato de que na reunião estavam os países que mais fomentam os biocombustíveis”, disse Elizabeth Stuart, da organização humanitária Oxfam.


“As metas de biocombustíveis dos Estados Unidos e da União Européia levaram a este tipo de crise”, denunciou.


Zoellick, que chegou a ser subsecretário de Estado americano, fez uma crítica a seu país, ao destacar “a falta de coerência de se ter programas de subsídios, ao tempo que se mantêm barreiras tarifárias”.


Os Estados Unidos taxam a importação de etanol do Brasil, obtido mediante um processo mais eficiente que o americano, que tem como base o milho, segundo Zoellick.


Outro tema de destaque da assembléia foi a atual crise financeira americana. O FMI prevê que as coisas podem piorar, e essa visão pessimista fez reduzir drasticamente as previsões de crescimento da grande maioria dos países desenvolvidos, que não ocultaram seu mal-estar.


O Fundo sugeriu ao Federal Reserve (Fed, banco central americano) e ao Banco Central Europeu (BCE) que baixem as taxas de juros, e também indicou que alguns países poderiam expandir os gastos públicos para estimular a economia.


A “terceira linha de defesa” seriam intervenções diretas em bancos e no mercado imobiliário dos Estados Unidos, que, de acordo com o FMI, poderiam ser necessárias para interromper a maior crise financeira desde a Grande Depressão, segundo descreveu o organismo multilateral.


 

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