O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aumentou em US$ 1, there 265 bilhão os empréstimos sem garantia soberana no ano passado, em uma tentativa de que uma percentagem maior de sua ajuda chegue ao setor privado e a Governos locais e regionais.
Os principais ativos do BID são empréstimos a países-membros.
Segundo o relatório anual do BID apresentado hoje em sua 50º Assembleia anual, realizada na cidade colombiana de Medellín, ao final de 2008, 95% dos empréstimos pendentes tinha garantia soberana.
O Brasil foi o principal receptor dos empréstimos aprovados pelo BID em 2008, ao obter US$ 3,303 bilhões da entidade.
Entretanto, o relatório chama a atenção para a crescente ênfase do banco em suas operações sem garantia soberana, que totalizaram US$ 2,433 bilhões em 2008, frente aos US$ 1,168 bilhão no final de 2007.
Clay Lowery, um ex-alto funcionário do Tesouro americano e atualmente diretor da empresa de consultoria Glover Park Group, disse à Agência Efe que esta é uma boa estratégia, a qual permitirá ao BID chegar aos setores privados latino-americano com dificuldades de acesso aos mercados internacionais.
O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, disse ontem durante seu discurso perante o Conselho de Governadores do BID que, dada a escassez de crédito nos mercados de capitais, a ampliação da divisão do banco para o setor privado será “crítica” nos próximos meses.
O organismo multilateral pode conceder até 10% dos empréstimos e das garantias pendentes diretamente ao setor privado e a entidades sem garantia soberana.
Não estão inclusos nesses 10% os empréstimos de emergência e aqueles sob o Programa de Liquidez.
O estudo mostra que o organismo registrou perdas contábeis no valor de US$ 1,9 bilhão entre julho de 2007 e dezembro de 2008 devido ao elevado peso dos ativos vinculados a hipotecas em sua carteira de empréstimos.
O BID teve uma perda líquida contábil de US$ 972 milhões no ano passado.
A análise divulgada hoje mostra que 38% da carteira de empréstimos com garantia soberana estão “qualificados para investimento” contra os 12% de 2007, o que reflete a melhora na qualificação creditícia de um número de prestatários do BID.
Quanto ao recebimento de empréstimos por países, o relatório mostra que, depois do Brasil, a Argentina foi quem mais recebeu dinheiro do banco: US$ 1,186 bilhão em 2008.
Em seguida aparecem México (US$ 1,095 bilhões), Colômbia (US$ 1,074 bilhões), Costa Rica (US$ 860 milhões) e Panamá (US$ 600 milhões).
No total, o BID aprovou 131 empréstimos no valor total de mais de US$ 11 bilhões em 2008 e procura aumentar essa cifra até o número recorde de US$ 18 bilhões este ano em uma tentativa de ajudar a América Latina a superar a crise.
O banco deu início ontem a um processo de ampliação de capital com o qual espera ampliar seus recursos em US$ 180 bilhões de dólares, chegando a US$ 280 bilhões.
Essa capitalização, a nona nos 50 anos de história do BID, permitiria ao organismo manter níveis recorde de empréstimos à região.
O presidente do BID, Luis Alberto Moreno, alertou em entrevista à Efe na última sexta-feira que, caso o banco não consiga ampliar seu capital, teria que reduzir o montante de empréstimos aprovados até US$ 6 bilhões em 2010.