O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, disse nesta segunda-feira, 26, que o aumento do superávit comercial brasileiro puxou a queda no déficit em transações correntes, quando comparados dezembro de 2024 e de 2025. A declaração foi realizada em entrevista coletiva sobre as estatísticas do setor externo.
O superávit comercial de dezembro do ano passado, de US$ 8,8 bilhões, não só representou mais do que o dobro do observado em dezembro de 2024 (US$ 4,122 bilhões), como foi o maior para o mês na série histórica, observou o técnico. Ele destacou que as exportações (US$ 31,184 bilhões) também atingiram o pico da série para o mês.
“A balança comercial permanece sendo o principal driver, o principal direcionador da evolução das transações correntes”, disse Rocha, observando que mesmo as tarifas dos Estados Unidos não prejudicaram o ritmo das exportações do País. Ele acrescentou que a corrente de comércio do Brasil cresceu no ano passado, mostrando uma maior integração internacional.
Em compensação, o superávit comercial brasileiro diminuiu cerca de 9% entre 2024 e 2025, considerando os anos fechados, de US$ 65,842 bilhões para US$ 59,952 bilhões. Isso explica em boa parte o aumento do déficit em transações correntes quando considerados os dois anos, de US$ 66,168 bilhões para US$ 68,791 bilhões.
Rocha ponderou, no entanto, que esses déficits têm magnitude similar em termos macroeconômicos, já que a diferença está em torno de US$ 2,6 bilhões. “Eu digo que esses déficits foram da mesma magnitude”, disse o técnico, acrescentando que, no acumulado de 12 meses, o déficit em transações correntes cresceu até meados deste ano, depois se estabilizou e caiu em dezembro.
Estadão Conteúdo.