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Economia

BC preserva flexibilidade ao evitar sinalizar rumo dos juros, dizem analistas

Segundo o economista Sergio Vale, da MB Associados, o texto levanta motivos tanto para encerrar o ciclo de cortes quanto para continuar com novas reduções.

Redação Jornal de Brasília

05/08/2026 23h53

banco central

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

FELIPE GUTIERREZ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O corte de 0,25 ponto percentual na Selic já era consenso no mercado, mas o comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária) evitou indicar qual será o próximo passo da política monetária. Na avaliação de economistas, o Banco Central preferiu preservar a flexibilidade e deixar em aberto tanto novos cortes quanto uma eventual pausa no ciclo.


O colegiado do BC reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa básica pela quarta reunião consecutiva. Mais enxuto do que o anterior, o comunicado divulgado após o encontro é o mais curto desde março e evitou oferecer sinais sobre a continuidade ou não do ciclo de cortes.

Segundo o economista Sergio Vale, da MB Associados, o texto levanta motivos tanto para encerrar o ciclo de cortes quanto para continuar com novas reduções.


“A leitura está para todos os gostos. Tem argumentos para justificar que vai parar de cortar e tem argumentos para continuar cortando. Não quiseram fechar as portas [para nenhuma decisão futura]”, diz.
A avaliação de Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, vai na mesma linha.

“Por que não se sinaliza o próximo passo? Porque não se sabe. Ainda é preciso ter mais informação para decidir na hora. O comunicado precisa ser entendido dentro de uma estratégia de cortes lentos”, afirma.
Rodolfo Margato, economista da XP, destaca mudanças na caracterização do cenário de atividade econômica e de inflação.


No comunicado anterior, o comitê havia enfatizado a aceleração dos indicadores, e, desta vez, reconheceu uma moderação na atividade, alguns sinais de perda de tração, ainda que com diferença entre os setores e em meio ao mercado de trabalho aquecido.


Os diretores não deram nenhuma orientação sobre o futuro, afirma Adriana Dupita, da Bloomberg.


“O único comentário que fizeram sobre o futuro foi que eles ajustarão a política para mantê-la ‘adequadamente restritiva’, para garantir a convergência da inflação para a meta”, diz.


Helena Veronese, economista-chefe da B. Side Investimentos, vai ao encontro das avaliações.


“O Copom deixa sua flexibilidade preservada, sem necessariamente prometer novos cortes ou pausa, deixando a porta aberta para a continuidade no movimento que eles mesmos vêm chamando de ‘calibração’ dos juros”, disse.


A decisão desta quarta-feira (5) deve produzir efeitos até o começo de 2028 -no jargão dos economistas, o período de influência de um patamar de taxa de juros é chamado de horizonte relevante.


O Copom publica dois documentos relativos às decisões sobre a Selic: um comunicado, divulgado imediatamente, e, depois de uma semana, a ata da reunião.


Na última decisão, em junho, o comunicado foi considerado confuso porque o texto afirmava que havia um choque inflacionário ligado à oferta do petróleo, mas, mesmo assim, a decisão era de corte da taxa básica. No dia seguinte, o dólar chegou a subir.


Dias depois, o próprio presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o Copom poderia ter errado por tentar “explicar demais”.


A decisão do Copom já era esperada pelo mercado financeiro: as 30 instituições consultadas pela Bloomberg antes da reunião do Copom desta semana previram a medida.


“O corte de 0,25 ponto era um consenso porque a taxa de juros ainda é muito alta e restritiva”, afirma Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings. Por isso, ele diz, gestoras, agências de risco, consultorias e outras instituições que acompanham as decisões das taxas de juros básicas eram quase unânimes em dizer que seria essa a escolha dos diretores do comitê.


Em março deste ano, a Selic estava em 15% ao ano. A reunião do Copom desta semana foi a quarta desde então, e nas quatro houve reduções de 0,25 ponto percentual.


O economista Roberto Troster afirma que até havia alguma divisão entre os agentes de mercado, que acabou depois da divulgação dos últimos dados sobre a inflação -o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em junho foi de 0,16% (em maio, havia sido 0,58%).


Já a inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou a 0,06% em julho, após marcar 0,41% em junho.
A inadimplência está batendo recordes, o que mostra que o aperto monetário foi forte demais, segundo Troster. Ele também diz que o dólar mais fraco ajuda a inflação. O economista considera que o maior risco é um choque exógeno nos preços com o El Niño.


Trata-se de um aquecimento atípico de águas na região equatorial do Oceano Pacífico que causa alterações no clima brasileiro. Há implicações tanto na produção de alimentos como na geração de energia hidrelétrica.

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