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Economia

BC liquida distribuidoras de títulos Trustee e Banvox, ligadas a ex-sócio do Master

Trustee e Banvox são acusadas pelo BC de graves violações às normas legais; empresas negam irregularidades e dizem ter sido surpreendidas

Redação Jornal de Brasília

03/09/2026 12h49

banco central

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

RICARDO DELLA COLETTA E GUILHERME PIMENTA
FOLHAPRESS

O Banco Central decretou, nesta quinta-feira (3), a liquidação extrajudicial da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e da Banvox Distribuidora.

As duas distribuidoras são ligadas a Mauricio Quadrado, ex-sócio do Banco Master, de Daniel Vorcaro. A instituição que pertencia ao ex-banqueiro foi liquidada pela autoridade monetária em novembro de 2025.

Segundo o BC, as liquidações foram motivadas “pela existência de graves violações às normas legais que disciplinam as atividades das instituições”. A autoridade monetária afirma ainda que os bens dos controladores e dos ex-administradores das instituições liquidadas ficam indisponíveis.

Em nota, a Trustee e a Banvox citaram surpresa com a decisão da autarquia e afirmaram que “não há nenhuma irregularidade na estrutura de suas operações ou violações às normas do mercado de capitais”.

“As empresas jamais foram notificadas para qualquer enquadramento nesse sentido”, disseram em comunicado. A reportagem não localizou o contato de Quadrado até a publicação desta reportagem.

O comunicado diz que as empresas prestaram todos os esclarecimentos demandados pelo PC e sanaram as dúvidas relacionadas ao caso Master. Ressalta ainda que a decisão “foi recebida com surpresa pelas empresas, que, inclusive, não tiveram nenhum executivo incluído na denúncia do Ministério Público na operação Carbono Oculto, apresentada na mesma data do anúncio de liquidação pelo BC”.

Em nota, o Banco Central aponta que as duas distribuidoras têm baixa representatividade no Sistema Financeiro Nacional. “Em julho de 2026, as instituições representavam, em conjunto, menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional e 0,76% do volume de administração de recursos de terceiros.”

Com a liquidação, a autarquia também determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores das instituições.

“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”.

Os fundos administrados pelas duas empresas liquidadas nesta quinta estão no radar de duas frentes de investigação diversas: o caso Master, que envolve suspeitas de manipulação do patrimônio do banco, e a Operação Carbono Oculto, que investiga a estrutura financeira usada pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), deflagrada no ano passado pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal.

No caso da Trustee, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) investiga se a empresa participou de um movimento para valorizar ações da Ambipar. Entre os controladores atingidos pela liquidação estão a Trustee Holding Financeira e três fundos de investimento: Jaguar FIP Multiestratégia, Topazio FIP Multiestratégia e Kyoto Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado.

A relação de ex-administradores com bens indisponíveis inclui Angelo Pinheiro de Castro, Artur Martins de Figueiredo, Estevam Borali, Flavio Daniel Aguetoni, Luis Fernando de Almeida e Rogerio Penteado Felgueiras.

Já na Banvox, a lista de ex-administradores atingidos pela medida são os mesmos, com exceção de Artur Martins de Figueiredo.

A reportagem não localizou os contatos dos ex-controladores e ex-administradores da Trustee e da Banvox até a publicação deste texto.

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