NATHALIA GARCIA
FOLHAPRESS
O Banco Central saiu em defesa do diretor Ailton de Aquino (Fiscalização) nesta sexta-feira (23) e afirmou que ele jamais recomendou ao BRB (Banco de Brasília) adquirir carteiras fraudadas do Banco Master.
Em nota à imprensa, a autoridade monetária também disse que Aquino abriu mão de seus sigilos e colocou à disposição do MPF (Ministério Público Federal) e da PF (Polícia Federal) suas informações bancárias, fiscais e os registros das conversas com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Segundo o blog da Malu Gaspar, no jornal O Globo, Aquino enviou mensagens ao então presidente do banco estatal pedindo a aquisição de créditos para ajudar o banco de Daniel Vorcaro a resolver seus problemas de liquidez.
Ainda segundo a reportagem, as mensagens foram apresentadas aos conselheiros do BRB durante reunião, em março de 2025. No encontro, foi aprovada a oferta de compra de 58% das ações do Master.
O BC disse ter obrigação legal de acompanhar permanentemente as condições de liquidez, inclusive aquisições de ativos entre instituições financeiras, buscando assegurar a estabilidade do sistema financeiro nacional.
“A área de Supervisão do Banco Central, na forma da legislação em vigor, rotineiramente monitora riscos e busca soluções para eventuais problemas de liquidez que venham a ser identificados em toda e qualquer instituição financeira”, disse a autoridade monetária.
O regulador afirmou também que compete à instituição financeira a “integral responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos que adquire em mercado”, sendo necessário manter procedimentos e controles internos para “adequado gerenciamento dos riscos de seus negócios.”
Em 30 de dezembro de 2025, o diretor de Fiscalização do BC foi ouvido pela PF de forma presencial na sede do STF (Supremo Tribunal Federal). Antes dele, prestaram depoimentos o dono do Master e o ex-presidente do BRB. As oitivas foram acompanhadas por um membro do Ministério Público e por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli.
A previsão inicial era uma acareação entre os três, mas Toffoli recuou e decidiu que a delegada responsável pelo caso, Janaína Palazzo, deveria tomar os depoimentos previamente e, se necessário, confrontar as versões. Ela foi responsável pelo pedido de prisão de Vorcaro em 17 de novembro de 2025, na primeira fase da operação Compliance Zero.
Na mesma nota, o BC detalhou o papel de Aquino no processo que levou à liquidação do Master, em 18 de novembro de 2025. De acordo com a autoridade monetária, a área sob seu comando foi responsável pela identificação de inconsistências nas operações e promoveu “rigorosas investigações, que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos integrantes de tais carteiras.”
“Foi igualmente da área chefiada pelo diretor Ailton de Aquino a iniciativa de promover a comunicação dos ilícitos criminais ao Ministério Público Federal, acompanhada de documentação comprobatória e criteriosas análises técnicas”, acrescentou.
Ainda de acordo com a autarquia, também a área de Supervisão aplicou medida com o objetivo de prevenir a prática de novas operações com impactos sobre a liquidez do BRB.
Como mostrou a Folha, o BC determinou ao BRB que faça um provisionamento de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas com a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master. O valor dessa fraude, segundo investigação da PF, chegou a R$ 12,2 bilhões.
“Sendo do próprio Diretor, por fim, a iniciativa de submeter à Diretoria Colegiada do Banco Central a proposta de liquidação extrajudicial das instituições do conglomerado Master, em razão, inclusive, dos ilícitos nelas perpetrados”, disse a autarquia.
Na última quarta-feira (21), o BC decretou a liquidação do Will Bank, banco digital do grupo Master, que estava desde novembro sob regime de administração especial temporária. O Banco Master, líder do conglomerado, e outras instituições do grupo já tinham sido liquidadas dois meses antes.