O Banco Central (BC) reduziu sua estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2022 de 2,1% para 1%. A nova projeção consta do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta quinta-feira, 16.
“Surpresas negativas em dados recentemente divulgados – que sugerem perda de dinamismo da atividade e reduzem o carregamento estatístico para o ano seguinte -, novas elevações da inflação, parcialmente associadas a choques de oferta, e aumento no risco fiscal pioram os prognósticos para a evolução da atividade econômica no próximo ano”, explicou o documento.
O relatório de dezembro também atualizou as projeções para o PIB de 2021. A expectativa para o crescimento da economia este ano passou de alta de 4,7% para 4,4%.
O Índice de Atividade (IBC-Br) divulgado ontem pelo BC apontou queda de 0,40% em outubro ante setembro, na série já livre de influências sazonais (uma espécie de compensação para comparar meses diferentes).
Projeções para IPCA
O BC manteve suas estimativas de inflação para anos de 2021 a 2023 no cenário de referência, que utiliza juros conforme o Relatório de Mercado Focus e câmbio atualizado de acordo com a Paridade do Poder de Compra (PPC).
O relatório divulgado hoje indica um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 10,2% para este ano, 4,7% no próximo e 3,2% em 2023. Essas projeções constaram na ata e no comunicado do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom). No relatório trimestral, o BC ainda informou projeção de 2,6% para 2024, de 2,8% no documento de setembro.
A estimativa para 2021 encontra-se muito acima da margem de tolerância da meta (3,75%, com 1,50 ponto porcentual de banda), enquanto, para 2022, se aproxima do teto (5,0%). Para este ano, a probabilidade de estouro do teto da infalção é de 5,25% da meta é de 100%, segundo o BC.
Para 2022, a meta de inflação é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (taxa de 2,00% a 5,00%). O BC aponta que, em seu cenário de referência, a probabilidade de a inflação ficar acima do teto da meta no ano que vem é de 41%. O último relatório trimestral, divulgado em setembro, apontava 17% de probabilidade.
No último relatório Focus, os economistas consultados semanalmente pelo BC projetaram alta de 10,05% no IPCA de 2021, de 5,02% em 2022 e de 3,46% em 2023, além de 3,09% em 2024.
Agropecuária, indústria e consumo
Entre os componentes do PIB para 2021, o BC alterou a projeção para a agropecuária de crescimento de 2,0% para retração de 0,6%. No caso da indústria, a estimativa de recuperação passou de 4,7% para 4,1% e, para o setor de serviços, de alta de 4,7% para 4,6%.
“O declínio esperado na agropecuária em 2021 resulta, em especial, de estimativas de quedas na produção em culturas com participação elevada no setor – como milho, cana-de-açúcar, café, algodão e laranja – decorrentes primordialmente de problemas climáticos, não compensadas inteiramente pela safra recorde de soja”, destacou o BC.
Do lado da demanda, o BC alterou a estimativa do consumo das famílias de alta de 3,3% para 3,4% em 2021. No caso do consumo do governo, o porcentual projetado foi de 0,9% para 1,8%.
Transações correntes
O documento divulgado hoje pelo BC aponta que a projeção para o resultado das transações correntes do País é de um déficit de US$ 30 bilhões. No RTI anterior, a previsão era de déficit de US$ 21 bilhões. A projeção para o Investimento Direto no País (IDP) neste ano foi de US$ 55 bilhões para US$ 52 bilhões.
A estimativa para o saldo líquido de investimento de estrangeiros em carteira – incluindo ações e títulos de renda fixa – continuou em superávit de US$ 21 bilhões.
A previsão para as transações correntes de 2022 passou de déficit de US$ 14 bilhões para US$ 21 bilhões. A projeção do BC para os investimentos em portfólio em 2022 passou de ganho de superávit de US$ 23 bilhões para US$ 11 bilhões. A projeção para o IDP no ano que vem foi de US$ 60 bilhões para US$ 55 bilhões.
Estadão Conteúdo