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Economia

Banco do Brasil vai desembolsar mais de R$ 5 bilhões para recompor FGC, diz CFO

A estimativa é que o Master consuma cerca de R$ 40 bilhões do FGC

Redação Jornal de Brasília

12/02/2026 14h28

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Versão em áudio

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Versão em áudio

JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS

A recomposição do caixa do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) após o caso do Banco Master vai custar mais de R$ 5 bilhões ao Banco do Brasil, disse o diretor financeiro da instituição estatal, Geovanne Tobias.

“Já foi decidido, no âmbito do FGC, a antecipação de cinco anos de contribuição. Isso, para o Banco do Brasil, fica em torno de R$ 5 bilhões. Além disso, vai ter um aumento na contribuição de 50% de forma extraordinária, que vai aumentar provavelmente uns R$ 450 milhões a R$ 500 milhões a mais nas despesas financeiras”, afirmou Tobias ao comentar os resultados do banco em 2025, nesta quinta-feira (12).

Segundo o CFO, o adiantamento de cinco anos terá um efeito patrimonial, já que o montante sairá da tesouraria, impactando eventuais ganhos desse montante pela Selic. Apesar dos custos, ele defende a recapitalização do FGC. “Estamos abrindo mão de receita, é fato. E o regulador está ciente disso.”

“Vamos buscar recompor essa liquidez o mais rápido possível, porque a existência do FGC é fundamental para garantir a solidez do sistema financeiro.”

A estimativa é que o Master consuma cerca de R$ 40 bilhões do FGC. Com a liquidação do Will Bank, no último dia 21, a estimativa é que a conta aumente em R$ 6,3 bilhões.

Segundo dados de novembro de 2025, o fundo tinha acumulado R$ 125 bilhões para pagar depositantes em eventuais problemas com bancos. Dessa forma, sobrariam cerca de R$ 78 bilhões no caixa do FGC para novas coberturas.

Para minimizar o impacto aos bancos, há uma discussão das instituições junto ao Banco Central para que o regulador libere uma parcela dos depósitos compulsórios, que são fatias dos depósitos que cada banco deve obrigatoriamente deixar guardada no BC para casos emergenciais. Na pandemia, parte foi liberada para fomentar a economia, por exemplo.

“Decisão de compulsório é uma decisão que compete única e exclusivamente ao Banco Central”, afirmou Tobias quando questionado se apoia a liberação dos recursos.

A discussão sobre mudanças no FGC antecede a liquidação do Master, decretada em novembro, mas gabhou força depois disso. Grandes bancos, que correspondem à maior parte do financiamento do FGC, que é proporcional ao caixa das instituições, defendem que as regras de contribuição mudem para exigir um maior pagamento de bancos mais arriscados, cujo financiamento depende de instrumentos garantidos, como CDBs (Certificados de Depósitos Bancários).

Entre os temas debatidos está o aumento da contribuição de instituições mais alavancadas. Uma atualização nas regras está prevista para o segundo semestre de 2026.

BALANÇO DO BANCO DO BRASIL

Com o impacto da inadimplência do agronegócio, o lucro do BB no quarto trimestre de 2025 teve uma queda anual de 40%, indo a R$ 5,7 bilhões, divulgou o banco nesta quarta-feira (11). Em relação ao período imediatamente anterior, o resultado aumentou 51,7%.

No ano passado como um todo, o lucro líquido ajustado somou R$ 20,7 bilhões, um recuo de 45,4%. O RSPL (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), que mede a rentabilidade do banco, despencou de 21,4% para 11,4% de um ano para outro.

Segundo a presidente da estatal, Tarciana Medeiros, o atraso dos clientes rurais teve, em 2025, um aumento de 500% em relação à média histórica.

“Vamos continuar sendo o banco do agronegócio. 94% da nossa carteira agro está adimplente, gerando resultado”, afirmou a executiva.

Segundo o banco, a renegociação dos débitos em aberto não é automática, mas sim baseada na viabilidade de cada cliente. Nos que não são viáveis, as garantias foram executadas.

Paras renegociações e novas operações, o banco prioriza contratos com alienação fiduciária, que oferece uma recuperação dos recursos mais rápida do que por vias judiciais.

RAIO-X | BANCO DO BRASIL EM 2025

Fundação: 1808
Lucro: R$ 20,7 bilhões
Agências: 3.955
Funcionários: 85.206
Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Nubank e Caixa Econômica Federal

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