O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões em 2025, uma queda de 45,4% em relação ao ano anterior. O resultado foi impactado pelas novas regras contábeis, que alteraram o modelo de provisões para perda esperada, e pelo aumento da inadimplência, especialmente no agronegócio.
A presidente-executiva da instituição, Tarciana Medeiros, destacou que 2025 foi um ano desafiador, com inadimplência no setor agro crescendo cerca de 500% em relação à média histórica. O índice geral de inadimplência subiu de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% no fim de 2025, com a carteira de agronegócio encerrando em 6,09% e a de pessoas físicas em 6,56%.
Apesar dos desafios, a carteira de crédito ampliada cresceu 2,5% no ano, alcançando R$ 1,296 trilhão. O destaque foi o crédito a pessoas físicas, que expandiu 7,6% para R$ 356,96 bilhões, impulsionado por modalidades como o crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, com R$ 14,3 bilhões desembolsados. No agronegócio, a carteira aumentou 2,1% para R$ 406,13 bilhões, e a de crédito sustentável cresceu 7,3% para R$ 415,1 bilhões, representando 32% do total.
As receitas de prestação de serviços somaram R$ 34,813 bilhões, queda de 1,9%, enquanto as despesas administrativas subiram 5,1% para o mesmo valor, devido a reajustes salariais e investimentos em tecnologia e cybersegurança.
Para 2026, o banco projeta lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, com crescimento da carteira de crédito de 0,5% a 4,5%. Tarciana Medeiros enfatizou a estratégia de liderança no crédito consignado, tanto para o funcionalismo público quanto para o setor privado, visando reforçar a rentabilidade.
Em relação ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o Banco do Brasil anunciou aporte antecipado de R$ 5 bilhões para recompor o caixa após a liquidação do Banco Master. Além disso, fará contribuições extraordinárias de cerca de R$ 500 milhões anuais, totalizando impacto de R$ 450 milhões a R$ 500 milhões em despesas financeiras. A medida visa manter a solidez do FGC, que protege investidores, conforme aprovado pelo conselho do fundo na última terça-feira (10). A presidente defendeu a necessidade de diálogo para ajustes regulatórios e evitar recorrências. As informações foram retiradas da Agência Brasil.