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Economia

Banco Central mantém Selic em 15% e interrompe ciclo de alta

A última vez que a Selic esteve acima de 15% ao ano foi em julho de 2006

Redação Jornal de Brasília

30/07/2025 20h40

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Brasília e São Paulo, 30 – Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano, interrompendo um ciclo de alta iniciado em setembro do ano passado, quando a taxa básica de juros estava em 10,50%. A última vez que a Selic esteve acima de 15% ao ano foi em julho de 2006.

Em comunicado divulgado após sua reunião, o colegiado afirmou que o setor externo “está mais adverso e incerto” em função dos efeitos do tarifaço anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o que exigiria “particular cautela”. No plano doméstico, destacou que, apesar de “certa moderação no crescimento (da atividade econômica)”, o mercado de trabalho “ainda mostra dinamismo”.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas (longe das metas oficiais), projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, diz trecho do comunicado.

Ainda assim, o Copom antecipou que deve manter a Selic no mesmo patamar de 15% na sua próxima reunião, marcada para setembro. Por fim, repetiu que “seguirá vigilante” e que os próximos passos da política monetária “poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue necessário”.

Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, o Copom optou por afastar qualquer possibilidade de início do ciclo de afrouxamento monetário em um “horizonte próximo”. “A curva de juros tinha alguma queda já precificada para o final do ano, ou início de 2026”, afirmou Sanchez. “Parece que o Copom não quer o mercado precificando esses cortes precocemente.”

A avaliação do economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, segue no mesmo caminho. Segundo ele, embora o Copom tenha melhorado suas projeções em relação à reunião anterior, a estratégia continua a mesma: manter os juros parados por um período suficientemente longo até que as expectativas de inflação convirjam para a meta. “O Banco Central é bastante cauteloso, e isso é compatível com a nossa visão de que a taxa básica possa permanecer no nível de 15% até o final do primeiro trimestre de 2026”, disse ele.

Superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, Fernando Gonçalves também acredita que a Selic não deve voltar a cair antes do primeiro trimestre de 2025. “O BC está tentando enfatizar que não vê no horizonte nenhuma necessidade de mudar o nível de juros.”

Estadão Conteúdo

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