A inflação se transformou em uma ameaça real à economia brasileira e é impulsionada pelas altas nos preços dos alimentos, site serviços e hidrocarbonetos, nurse segundo a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada pelo Banco Central nesta quinta.
O comportamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) “foi notavelmente menos propício que em trimestres anteriores, de modo que a inflação dá sinais que poderia estar divergindo das metas desde o final de 2007 e alcançou 2,97 % nos últimos seis meses”, disse o documento.
O Banco Central divulgou hoje a ata da reunião de Copom, que na semana passada elevou a Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), taxa básica de juros, para 11,75% ao ano, um aumento de 0,5%.
No documento, o banco advertiu que seguirá estudando a trajetória dos preços e a demanda.
Os preços de produtos básicos, como os grãos, continuam mostrando altas importantes no ano, junto com o do resto dos alimentos.
A ata também destacou que um descompasso persiste entre oferta e demanda de bens e serviços, o que aumenta o risco de inflação.
” A prudência passa a ter papel ainda mais importante nesse processo, em momentos como o atual, caracterizado pela deterioração da dinâmica inflacionária corrente e esperada”, ressaltou o Banco Central.
O aumento nas taxas de juros evita que pressões originalmente isoladas sobre os índices de preços piorem as perspectivas de inflação, segundo o documento.
A inflação se manteve estável em março, em 0,48%, contra o 0,49% de fevereiro e o 0,37% registrado no terceiro mês de 2007.
No primeiro trimestre do ano, a variação do IPCA atingiu 1,52%, comparativamente a 1,26% no mesmo período de 2007. A variação do índice em doze meses passou de 4,61% em fevereiro para 4,73% em março.
A inflação acumulada nos últimos 12 meses em alimentos e serviços foi de 6,67% no final de março – muito acima do índice geral.
Em sua ata, o Copom destacou que o preço do petróleo, uma “fonte sistemática de incerteza proveniente do cenário internacional” se elevou consideravelmente e continua volátil.
Esse comportamento reflete mudanças estruturais no mercado energético mundial que impediu a recuperação dos níveis de estoques tradicionais, além das tensões geopolíticas recorrentes, destacou o Copom.
O comitê prevê, no entanto, que os preços da gasolina no mercado brasileiro se mantenham inalterados, embora não tenha descartado um “cenário alternativo”.