GUILHERME MATOS
FOLHAPRESS
Bancários da Caixa Econômica Federal protestaram nesta terça-feira (29) contra as mudanças no plano de saúde propostas pela empresa. Os manifestantes se reuniram na avenida Paulista, região central de SP, em frente ao prédio que abriga sede do TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região), discursaram e distribuíram panfletos aos pedestres.
O ato ocorreu horas antes de o TST (Tribunal Superior do Trabalho) julgar a legalidade da greve nacional da categoria, em curso desde 10 de setembro. O dissídio coletivo foi levado à Justiça pelo banco público, que pediu o reconhecimento de abusividade do movimento. A categoria terá de encerrar a greve.
Na decisão do TST, o plano de saúde, principal impasse entre o banco e a categoria, terá aumento de 4,6%. A escolha do local de protesto foi simbólica, segundo os manifestantes, com intuito de pressionar a corte por decisão favorável aos trabalhadores.
O TRT-2 é a segunda instância da Justiça do Trabalho em São Paulo e não participa do julgamento desta terça. A sede do TST, a instância máxima, fica em Brasília e julgará o caso por se tratar de greve nacional.
Hoje, o empregado da Caixa paga 3,5% do salário-base pelo plano, mas a Caixa pretendia aumentar esse percentual para 3,7%, o que foi negado no julgamento. Além disso, a empresa propõe aumentos nos custos dos dependentes (R$ 480 para R$ 560 em uma das faixas etárias) e no de consultas no pronto-atendimento.
A aposentada Inês Freitas, 62, foi ao ato por considerar que esses aumentos vai excluir os aposentados do plano de saúde da empresa.
“O aposentado não é igual ao pessoal da ativa. O salário não acompanha. Com essa alteração, muita gente não vai conseguir ficar no Saúde Caixa. Eu acho que é uma forma muito sutil de tirar a gente”, disse.
Ela critica o banco por recuar na negociação. “Ela [a Caixa] ofereceu 9% [como percentual de custeio do plano] e agora, no julgamento, baixou de novo pra 6,5%. Ou seja, é uma má-fé tremenda da empresa”, afirmou a aposentada.
A auxiliar operacional Marília Donega, 43, trabalha há 20 anos na Caixa e tem dois dependentes no plano: o marido e um filho de 14 anos. Para ela, valores maiores pesam e ficam inviáveis.
“Hoje o meu desconto mensal gira em torno de quase R$ 1.000, e com essa nova proposta vai ultrapassar esse valor. Se está ruim para mim, eu fico imaginando as mães, mulheres que têm dois ou três filhos. Vai ficar insustentável. Eles querem forçar as pessoas a saírem do plano”, afirmou.
O custo fica ainda mais pesado quando é preciso usar os serviços, visto que os funcionários pagam a coparticipação, ou seja, parte do custo de cada procedimento.
Marília relata que enfrentava um problema de saúde e o médico pediu que fizesse um ultrassom. “O plano não cobriu e eu tive que pagar, por fora, mais R$ 400. Foi um mês que fiquei super desfalcada, porque eu ainda tive o desconto da mensalidade, da coparticipação, dos exames preventivos”, disse.
A analista Nilva Marques da Silva, 61, afirma que passou por um procedimentos nos joelhos que, também, pesaram no bolso.
A empresa que prestou o serviço cobrou R$ 29,9 mil pelo procedimento. Da sua parte, ela pagou mais de R$ 3.000, valor que só não foi maior por conta do teto de coparticipação.
A analista Sueli Ogusk, 58, questiona a falta de transparência do plano de saúde. Ela conta ter feito um tratamento em 2024 que, na fatura, foram cobrados itens em duplicidade.
Sueli contestou a conta junto ao Saúde Caixa, mas não deu certo. Teve que pagar. Ela afirma que os empregados pagam o plano sem ter um demonstrativo de para onde vai o dinheiro. A Caixa, no entanto, nega. Em nota anterior, o banco afirma que faz auditoria frequente no plano de saúde.
Bancários da Caixa fizeram protesto em São Paulo antes de julgamento no TST
Ato ocorreu horas antes de o TST julgar a legalidade da greve nacional da categoria, em curso desde 10 de setembro
Foto: Pillar Pedreira/Agência Senado