São Paulo, 01 – Os critérios de sustentabilidade e a jornada de descarbonização das empresas já representam um fator de peso para conversas de refinanciamento com bancos. No caso da multinacional do setor de metais SMS Group, os dados apresentados em relação à área resultaram em taxas mais baixas na negociação mais recente, segundo Fabíola Fernandez, diretora financeira (CFO, na sigla em inglês) da companhia alemã.
“A cada cinco anos a gente refinancia nosso acordo com bancos, e este ano é de refinanciamento para a SMS. Sou CFO há mais de 20 anos e é sempre a mesma pauta: balanço, ganhos e o banco quer saber se você pode repagar o crédito ou não. Mas este ano foi completamente diferente. Do roadshow que fizemos com bancos, em 10% falamos de balanços e ganhos, e 90% falamos de pegada de carbono, sustentabilidade, investimento em técnicas modernas e diversidade. A discussão com os bancos foi completamente diferente porque, dependendo desses critérios, eu pagaria juros mais altos ou mais baixos nos próximos cinco anos”, disse Fernandez, durante evento promovido pelo escritório Levy & Salomão Advogados, na manhã desta sexta-feira.
Na avaliação da executiva, o fato de a empresa ter se adiantado na jornada de sustentabilidade e descarbonização não valeu apenas pela competitividade, para atender necessidades de clientes – muitas vezes europeus, com legislações específicas e mais rígidas. Também valeu para o financiamento, dado que a SMS conseguiu taxas de juros mais baixas do que havia conseguido na negociação de 2020. “É interessante como o tema está se desenvolvendo. É algo concreto”, afirma.
Projetos em torno de sustentabilidade demoram pelo menos um ano para ficar prontos em empresas de maior porte, considerando desde a identificação de onde está a emissão dos gases de efeito estufa até a definição de métodos e instrumentos para lidar com isso, segundo Fernandez. Além disso, a legislação pode ter mudanças no meio do caminho. “Precisamos estar preparados”, destaca a executiva.
Ela observa o maior desenvolvimento em torno de negócios sustentáveis na União Europeia, com discussões e aplicações do mercado de carbono datando de 2005, por exemplo. Por outro lado, Fernandez lembra que considerando o nível internacional de comércio, todos devem estar acompanhando os avanços no tema, e mesmo que seja desafiador para empresas calcularem suas emissões – e as de seus fornecedores -, trata-se de um trabalho “para ontem”.
Estadão Conteúdo