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Economia

Autonomia permite que BC ‘corte na carne’ o que estiver errado, diz Galípolo

A declaração foi feita durante participação na Premiação Anual Rankings Top 5 2025, evento promovido pelo BC que reconhece as instituições que mais acertaram projeções do Boletim Focus

Redação Jornal de Brasília

09/04/2026 11h20

Foto: Edils Rodrigues/Agência Senado

Foto: Edils Rodrigues/Agência Senado

TAMARA NASSIF
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, saiu em defesa da autonomia da autoridade monetária nesta quinta-feira (9) –um pilar que, segundo ele, permite que o que estiver errado dentro da autarquia seja “cortado na carne”.

“Significa ter a coragem de apontar o que está errado dentro do BC e não só pedir desculpas, mas cortar na carne e fortalecer a institucionalidade, que independe de relações pessoais”, afirmou.

A declaração foi feita durante participação na Premiação Anual Rankings Top 5 2025, evento promovido pelo BC que reconhece as instituições que mais acertaram projeções do Boletim Focus.

Galípolo também defendeu a conclusão do processo de autonomia institucional do órgão, depois de ter pedido, na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado na véspera, pela aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que confere mais autonomia técnica, orçamentária e financeira à instituição.

O BC, hoje, tem autonomia operacional, mas não financeira. Segundo afirmou aos senadores na quarta-feira (8), a autoridade monetária está funcionando quase no limite de sua capacidade operacional, depende do “senso de responsabilidade dos servidores públicos” e enfrenta dificuldades para contratar pessoal e investir em novas tecnologias.

“É muito importante a gente completar o processo de autonomia do Banco Central. Não por qualquer questão de comportamento, mas porque a autonomia não vem de um dispositivo legal. A autonomia significa algo que é muito caro ao Banco Central, que é não estar disponível para negociar o seu mandato”, afirmou nesta quinta.

Ele acrescentou que o fortalecimento institucional do órgão também garante que decisões técnicas não sofram consequências políticas no futuro.

“É importante completar o processo de autonomia justamente para que quem decide não negociar algumas questões não seja punido por isso amanhã.”

Ele não mencionou casos específicos, como a liquidação do Banco Master, que fez da autarquia alvo de escrutínio de órgãos de controle após a decisão. As investigações também apontaram servidores do BC como participantes da ciranda financeira.

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