TAMARA NASSIF
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, saiu em defesa da autonomia da autoridade monetária nesta quinta-feira (9) um pilar que, segundo ele, permite que o que estiver errado dentro da autarquia seja “cortado na carne”.
“Significa ter a coragem de apontar o que está errado dentro do BC e não só pedir desculpas, mas cortar na carne e fortalecer a institucionalidade, que independe de relações pessoais”, afirmou.
A declaração foi feita durante participação na Premiação Anual Rankings Top 5 2025, evento promovido pelo BC que reconhece as instituições que mais acertaram projeções do Boletim Focus.
Galípolo também defendeu a conclusão do processo de autonomia institucional do órgão, depois de ter pedido, na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado na véspera, pela aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que confere mais autonomia técnica, orçamentária e financeira à instituição.
O BC, hoje, tem autonomia operacional, mas não financeira. Segundo afirmou aos senadores na quarta-feira (8), a autoridade monetária está funcionando quase no limite de sua capacidade operacional, depende do “senso de responsabilidade dos servidores públicos” e enfrenta dificuldades para contratar pessoal e investir em novas tecnologias.
“É muito importante a gente completar o processo de autonomia do Banco Central. Não por qualquer questão de comportamento, mas porque a autonomia não vem de um dispositivo legal. A autonomia significa algo que é muito caro ao Banco Central, que é não estar disponível para negociar o seu mandato”, afirmou nesta quinta.
Ele acrescentou que o fortalecimento institucional do órgão também garante que decisões técnicas não sofram consequências políticas no futuro.
“É importante completar o processo de autonomia justamente para que quem decide não negociar algumas questões não seja punido por isso amanhã.”
Ele não mencionou casos específicos, como a liquidação do Banco Master, que fez da autarquia alvo de escrutínio de órgãos de controle após a decisão. As investigações também apontaram servidores do BC como participantes da ciranda financeira.