O Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou, na ata da sua mais recente reunião, que a combinação entre “perseverança, firmeza e serenidade” nas decisões de juros vai contribuir para manter as expectativas de inflação em queda. O documento foi divulgado nesta terça-feira (3).
“A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, diz o oitavo parágrafo da ata.
Na última quarta-feira, 28, o Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano, mas informou que tem a intenção de começar a reduzir o nível dos juros no próximo encontro. O colegiado reforçou, no entanto, que manteria a “restrição adequada” para alcançar a meta de inflação.
Segundo o comitê, a continuidade da queda das expectativas é importante para permitir que a inflação convirja a um custo menor. As expectativas permanecem acima da meta, destacou o colegiado.
Sobre a inflação corrente, a ata destaca um arrefecimento no índice cheio e em aberturas e medidas subjacentes. Por um lado, a apreciação do real e o comportamento benigno de commodities diminuíram a inflação de bens industrializados e alimentos. Por outro, a inflação de serviços arrefeceu, mas permanece resiliente, puxada pelo mercado de trabalho e pela atividade, que desacelera gradualmente.
“Mantém-se, de um lado, a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista por um período bastante prolongado e, de outro, a interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”, diz a ata.
Estadão Conteúdo.