No caso dos setores nos quais seja “autossuficiente”, o Brasil deverá “reconhecer” que a Argentina dará preferência a seus produtores, segundo o acordo alcançado hoje pelo presidente da União Industrial Argentina (UIA), Héctor Méndez, e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.
Este foi o principal acordo que saiu da reunião mantida pelos dois dirigentes industriais em São Paulo, na qual discutiram medidas para melhorar os fluxos de comércio bilateral, informou a Fiesp, em comunicado.
“Entendemos que a Argentina passa por um momento difícil, agravado pela crise mundial e estamos dispostos a ajudá-los a manter o emprego e o desenvolvimento”, disse Skaf, segundo a nota.
No entanto, os industriais argentinos se comprometeram a dar prioridade às manufaturas brasileiras, na frente de outros países, no caso dos produtos nos quais a Argentina não possa atender sua demanda interna.
“O que não podemos aceitar é uma queda das exportações brasileiras à Argentina e um aumento das importações argentinas provenientes de outros países, seja da China ou de outra nação”, acrescentou Skaf.
O presidente da Fiesp disse confiar em que, com a aceitação destes dois princípios, será possível resolver as disputas comerciais nos setores “mais afetados” pelas barreiras comerciais.
Nessa lista, estão móveis, têxteis, calçados, tornos mecânicos, pneus, ferramentas manuais, autopeças, máquinas agrícolas, alguns produtos de linha branca, aerossóis, além de leite e trigo.
Méndez reconheceu que é “legítimo” que cada país se esforce para manter seus postos de trabalho e ajude os setores em crise, mas destacou que o Brasil tem que dar “concessões” para buscar acordos.
“Estamos vivendo um momento particular, mas que precisa de soluções coletivas”, afirmou o presidente da UIA.
As duas entidades se comprometeram a identificar todos os setores com problemas e a fazer um levantamento estatístico dos casos de “desvio” de mercado.
Skaf também pediu esforços ao Governo argentino para liberar licenças de importação que afetam diversos produtos brasileiros. EFE