“A Yahoo! não fez o correto, pois não tem uma alternativa que forneça aos acionistas o que a Microsoft oferecia”, diz a analista Wendy Tanaka na revista Forbes.
A Microsoft anunciou no sábado que retirava sua oferta pela Yahoo!, argumentando que não estava disposta a pagar o preço pedido pelo portal da internet.
Apesar do gigante do software ter oferecido até US$ 33 por ação – US$ 2 a mais do que quando lançou sua proposta original, no final de janeiro – a direção da Yahoo! afirmou que não aceitaria menos que US$ 37.
Como era previsto, a notícia provocou hoje uma queda dos títulos da Yahoo! na bolsa, e não se descarta que suas ações voltem em breve a uma cotação próxima a US$ 19, onde estavam antes da oferta da Microsoft.
As ações do portal de internet chegaram hoje a cair até 17%, e fecharam o dia em baixa de 15%, para US$ 24,37. Os títulos da Microsoft, por sua parte, terminaram o pregão em queda de 0,55%.
Os analistas acreditam que a Microsoft se concentrará agora em buscar outras companhias para adquirir, em acordos possivelmente muito menores que o discutido com a Yahoo!, mas capazes de ajudar a revitalizar seus negócios de internet.
“A Yahoo! não é uma estratégia, é parte de uma estratégia”, disse o executivo-chefe da Microsoft, Steve Ballmer na sexta-feira passada, em reunião com seus funcionários. “Se a aliança com a Yahoo! não se completar, há inúmeros meios para que possamos acelerar nossos investimentos”.
O grupo pôs bilhões de dólares em sua divisão de internet, mas todo esse esforço não conseguiu trazer a reboque outros acordos, como o da Yahoo!, e nem fazer com que se aproximasse da líder do setor, a Google.
A divisão de atividades na internet da Microsoft perdeu US$ 745 milhões nos primeiros nove meses de seu atual ano fiscal, apesar dos bilhões de dólares investidos pelo grupo.
Enquanto isso, a Google ganhou US$ 1,3 bilhão só nos três primeiros meses de 2008.
Ainda menos claro está o que Jerry Yang, executivo-chefe da Yahoo!, fará agora para demonstrar ao seu conjunto de acionistas que, como prometeu, a empresa pode recuperar a liderança, a rentabilidade e o prestígio perdidos sem a ajuda da Microsoft.
Embora a direção da empresa tivesse apoiado Yang em sua rejeição à oferta da Microsoft, muitos grandes acionistas da empresa acham que foi uma decisão equivocada e alguns, inclusive, já processaram o portal.
“Não acho que Yang como fundador, como alguém ligado emocionalmente à companhia, tenha velado pelos meus interesses como acionista”, disse ao jornal The New York Times Darren Chervitz, diretor do fundo de investimento Jacob Internet, detentor de 150 mil ações da Yahoo!.
A maior parte dos analistas acredita que a Yahoo! optará agora por estreitar seus laços com a Google, e assinar um acordo definitivo para terceirizar parte de seu serviço de buscas online.
A Yahoo! anunciou em 9 de abril que testaria de forma temporária o serviço de publicidade AdSense, de propriedade da Google, e incorporaria os anúncios desta última em parte das buscas feitas em seu portal de internet dos Estados Unidos.
O teste durou duas semanas, e foi qualificado como um grande sucesso pelos executivos da empresa.
No entanto, alguns analistas acreditam que ainda não foi escrita a última página da história entre Yahoo! e Microsoft, e opinam que o gigante do software poderia voltar a lançar uma oferta em um futuro próximo.
Caso as ações do portal de internet continuem em queda livre, a empresa de Ballmer poderia fazer uma nova oferta, que desta vez não poderia ser rejeitada, e que sairia, além disso, muito mais barata do que a recém abandonada.