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Economia

América Latina se rebela contra FMI e Brasil ameaça estimular fundo regional

Arquivo Geral

21/10/2007 0h00

Os países latino-americanos criticaram hoje fortemente o FMI por não tomar medidas mais duras para prevenir a crise financeira, more about e o Brasil chegou a dizer que vai estimular um fundo monetário regional caso o organismo não mude de postura.

Em um discurso muito duro ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC, em inglês), o órgão que delimita a estratégia do Fundo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que os países latino-americanos acreditam que o FMI é responsável em parte pela crise que sacudiu o mundo nos últimos meses.

O ministro da Fazenda discursou em nome de Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago, além do Brasil.

Mantega disse que o organismo multilateral não mostrou “qualquer inibição para expressar opiniões e ditar políticas” para a América Latina ou a Ásia em tempos de crise, sendo que muitas delas foram “equivocadas ou duvidosas”.

No entanto, foi “excessivamente cauteloso” em fazer recomendações desta vez, quando a origem da turbulência está nos mercados financeiros americanos e europeus.

“É uma situação irônica: os países que eram referências de boa gestão, boas normas e condutas no sistema financeiro são os mesmos países que enfrentam problemas graves de fragilidade financeira, o que põe em risco a prosperidade da economia mundial”, disse Mantega.

O ministro de Economia da Argentina, Gustavo Peirano, adotou a mesma linha em nome dos países do Cone Sul de língua hispânica. “O Fundo deveria ter, pelo menos, o mesmo cuidado ao avaliar as vulnerabilidades das economias avançadas como faz com os mercados emergentes”, disse.

Em resposta às críticas, o FMI distribuiu à imprensa cópias de relatórios que publicou em abril de 2006 e 2007 que citavam sinais de perigo no mercado hipotecário americano, que foi a origem da crise que estremeceu o sistema financeiro internacional entre julho e setembro.

No entanto, o documento não inclui qualquer conselho do Fundo ao Governo dos Estados Unidos ou às agências reguladoras para evitar o perigo. Agora, os países em desenvolvimento sentem-se estimulados por terem “salvado” o planeta de uma contração econômica.

“O crescimento mundial é sustentado pelos países emergentes”, disse à agência Efe o ministro da Fazenda da Colômbia, Óscar Iván Zuluaga. Os países em desenvolvimento reivindicam agora uma maior influência política em razão de seu forte poder econômico.

Este é outro dos pontos de discórdia entre América Latina e o FMI, pois a região, liderada pelo Brasil, exige mais poder de voto em seus órgãos de decisão. O organismo está imerso em uma revisão das cotas, que refletem basicamente o poder econômico dos países quando a instituição foi fundada, em 1944.

No entanto, a negociação está estagnada porque as nações em desenvolvimento exigem mais votos do que os países desenvolvidos estão dispostos a oferecer.

A nova fórmula que está atualmente em negociação prevê que as nações industrializadas cedam apenas 2% de seu poder, o que foi rejeitado, nesta sexta-feira, pelo G24, grupo que reúne os países em desenvolvimento. Mantega chegou a incluir hoje uma ameaça em seu discurso.

“Os países em desenvolvimento, ou boa parte deles, tomarão seu próprio rumo caso percebam que a reforma não ocorrerá ou que teremos um mero simulacro de reforma”, disse.

Suas palavras chegam depois de o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva recomendar às nações em desenvolvimento que encontrem novas instituições para substituir o Banco Mundial e o FMI.

Uma dessas instituições já começa a ser desenhada. Trata-se do Banco do Sul, que será formado por Brasil, Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além da Colômbia, que na semana passada pediu sua integração.

O Brasil também tem em mente a possibilidade de um acordo entre países latino-americanos para compartilhar suas reservas, assim como ocorre na Ásia com a chamada Iniciativa de Chiang Mai, disse Mantega. Uma iniciativa desse porte reduziria ainda mais a importância do FMI.

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