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Economia

Alta dos combustíveis pode pressionar inflação de março apesar de pacote do governo

Especialistas apontam impacto do diesel no transporte e nos preços de alimentos e produtos

João Victor Rodrigues

13/03/2026 6h44

gasolina combustivel

Foto: Divulgação/IPEDF

As medidas anunciadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conter a alta dos combustíveis podem não ser suficientes para evitar pressão inflacionária no curto prazo. Economistas avaliam que o aumento recente nos preços da energia deve influenciar diretamente o comportamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo no mês de março.

A expectativa é de que o grupo combustíveis registre a maior elevação dentro do indicador, atualmente acumulado em 3,81%, contribuindo para elevar o índice geral.

Diesel tem impacto direto na economia

Especialistas destacam que o diesel exerce papel estratégico na economia brasileira por ser o principal combustível utilizado no transporte de cargas. Como cerca de 60% da logística nacional depende do transporte rodoviário, aumentos no preço do diesel tendem a encarecer o frete.

Esse custo adicional costuma ser repassado ao consumidor final, influenciando preços de alimentos, produtos industrializados e mercadorias em geral. Por isso, oscilações no valor do diesel costumam produzir efeitos rápidos e abrangentes na inflação.

Projeções indicam pressão inflacionária

De acordo com análise do Banco Daycoval, a elevação dos chamados preços administrados, especialmente dos combustíveis, pode se tornar um dos principais fatores de pressão sobre o IPCA.

Segundo a instituição, esse cenário poderia levar a inflação projetada para 2026 de cerca de 3,4% para até 5%, caso o aumento dos combustíveis se mantenha.

Atualmente, a meta oficial de inflação estabelecida pelo Banco Central do Brasil é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Conflitos internacionais elevam preço do petróleo

A recente disparada nos combustíveis está relacionada ao aumento das tensões no cenário internacional, especialmente após conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

A instabilidade na região do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — provocou forte alta na cotação da commodity.

Nas últimas semanas, o preço do petróleo Brent ultrapassou US$ 100 por barril, elevando os custos de combustíveis em diversos países.

No Brasil, mesmo sem reajuste oficial da Petrobras, alguns postos elevaram os preços nas bombas, ampliando o impacto direto no orçamento dos consumidores.

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