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Economia

Alta de combustíveis e alimentos faz IPCA avançar 0,88% em março

O índice de março já foi afetado pelos efeitos da guerra no Oriente Médio, diz Fernando Gonçalves

Redação Jornal de Brasília

10/04/2026 20h42

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Foto: Reproduçao/O_DIA

Rio, 10 – A inflação voltou a acelerar e subiu 0,88% em março, levando o mercado a ajustar com viés de alta suas projeções para o índice no final do ano, o que pode mexer com a trajetória de cortes da taxa Selic. De acordo com dados divulgados ontem pelo IBGE, a variação acumulada em 12 meses do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 3,81% em fevereiro para 4,14%, mais próximo do teto da meta, que é de 4,5%. Em fevereiro, o IPCA avançara 0,7%.

O índice de março já foi afetado pelos efeitos da guerra no Oriente Médio, diz Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, especialmente nos combustíveis em consequência da disparada do petróleo com fechamento do Estreito de Ormuz. Como consequência, os combustíveis aqui ficaram mais caros.

Além dos combustíveis, a alta de 1,95% na alimentação em domicílio surpreendeu os economistas do Santander, além da alta disseminada em vários itens. “Este resultado adiciona um viés de alta à nossa trajetória de acompanhamento do IPCA ao longo do ano, bem como ao nosso acompanhamento para o final do ano (atualmente em 4,6%). Vale destacar que esperamos outro resultado pressionado no IPCA de abril”, afirmam os economistas em relatório.

A gasolina teve um aumento de 4,59% em março, maior pressão sobre o IPCA, uma contribuição de 0,23 ponto porcentual. O óleo diesel saltou 13,90%, com impacto de 0,03 ponto porcentual no mês. O etanol subiu 0,93%, enquanto o gás veicular recuou 0,98%. Na média, os combustíveis encareceram 4,47% em março.

“Sem a gasolina, o IPCA de março teria sido de 0,68%. Sem os combustíveis, o IPCA de março teria sido de 0,64%”, informou Gonçalves, do IBGE. “Se tiver menor oferta de combustível internamente, é possível que tenha preço (ainda) maior (em abril)”.

Diante dos dados de março, a Logos Economia revisou sua projeção para o IPCA de 2026, de 4,6% para 4,8%, “mais uma vez em virtude dos recentes desdobramentos do conflito EUA-Irã na precificação de enorme cadeia de bens e serviços, em específico do querosene de aviação”, escreveu o economista Fábio Romão, sócio da consultoria. “Sobre este último ponto, é importante destacar que a metodologia do IBGE simula a compra da passagem com dois meses de antecedência, ou seja, o importante reajuste anunciado pela Petrobras em abril (de 55% no querosene de aviação) – em que pese o fato de a empresa estar cobrando parcialmente e parceladamente pelo combustível – poderá aparecer mais claramente no IPCA a partir de junho e julho”, previu. 

Os grupos Transportes e Alimentação e bebidas responderam, juntos, por 76% do IPCA de março. (Denise Abarca)

Estadão Conteúdo

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