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Economia

Alimentos sobem menos do que a inflação média no ano passado

Em 2025, os alimentos subiram 2,29%, enquanto a inflação média do paulistano foi de 3,83%, segundo dados da Fipe

Redação Jornal de Brasília

08/01/2026 18h37

Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

MAURO ZAFALON
FOLHAPRESS

Após um período de forte aceleração, a inflação dos alimentos volta a ficar abaixo do índice geral em São Paulo. É a terceira vez nos últimos dez anos que o consumidor tem um ritmo de gasto menos acentuado com alimentação do que com a média dos demais itens componentes da inflação.

Em 2025, os alimentos subiram 2,29%, enquanto a inflação média do paulistano foi de 3,83%, segundo dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Fatores internos e externos ajudaram a conter os preços dos alimentos.

Internamente, o Brasil obteve uma supersafra de 354 milhões de toneladas de grãos, inclusive com aumento na produção de alimentos básicos, como arroz e feijão. Ao contrário de anos anteriores, o clima foi mais favorável.

O recorde na oferta de carnes, que superou 33 milhões de toneladas, também foi importante para uma contenção dos gastos médios do consumidor. Em 2024, os alimentos haviam subido 8%.

Externamente, os preços mundiais vêm passando por uma acomodação, o que diminui também a pressão interna. O dólar, sem grandes tensões, e os preços externos menores ajudam a conter a alta interna.

O reflexo da grande safra começa com os preços no campo. Um acompanhamento diário do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) indica que a média dos preços praticados em 2025 ficou abaixo da de 2024. Em alguns casos, como o do arroz, a retração chegou a 37%. E a tendência de queda continua. O cereal terminou dezembro com preço 53% inferior ao da média de 2024.

Já o boi, impulsionado pelo recorde de exportações, teve uma recuperação no campo, subindo 23% em 2025. A pecuária bovina foi um setor bem ativo em 2025 e, como consequência, a produção brasileira superou os 12 milhões de toneladas; o Brasil assumiu a liderança mundial na produção, desbancando os Estados Unidos, e as exportações foram recordes.

Nos números da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), o país colocou 3,5 milhões de toneladas dessa proteína no mercado externo em 2025, com receitas de US$ 18 bilhões, números nunca vistos antes pelo setor.

O arroz esteve entre as principais quedas, tanto no campo como no varejo. Em 2024, devido a uma safra menor e a condições favoráveis para exportação, a saca de arroz foi negociada, em média, a R$ 113 para o produtor, valor que incentivou o plantio no ano seguinte. O resultado foi uma safra recorde de 12,6 milhões de toneladas em 2025, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O volume recorde de produção provocou uma forte queda nos preços internos. Essa queda foi auxiliada também pela redução dos preços externos, devido a uma recomposição mundial da produção; pelo câmbio, menos pressionado, e pela redução dos atrativos das exportações.

Enquanto o Cepea apontou queda média de 37% no campo, o consumidor pagou 26% a menos pelo cereal nas gôndolas dos supermercados, segundo a Fipe.

Mas se arroz e feijão estiveram com preços menores, o café disparou. No campo, a saca do arábica foi negociada a R$ 2.271 em 2025, com alta de 66% em relação a 2024. O consumidor pagou 36% a mais no período.

Quebra de safra nos principias países produtores e aumento de consumo mundial fizeram com que os estoques mundiais de café recuassem de 31,9 milhões de sacas, na safra 2021/22, para os atuais 20,1 milhões, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

A produção mundial se recupera, saindo de 165 milhões de sacas para 179 milhões no mesmo período, mas os preços devem continuar pressionados até uma reposição dos estoques mundiais.

A inflação dos alimentos recua em 2025, mas os preços ainda estão bem acima dos de anos anteriores. A inflação média de janeiro de 2019 a dezembro de 2025 subiu 46%, enquanto a dos alimentos teve alta acumulada de 76% no período. Líderes, café e óleo de soja subiram 236% e 188%, segundo a Fipe.

A disparada de preços dos alimentos nos anos recentes começou com os problemas de sanidade animal na China, como a ocorrência da gripe aviária e da peste suína africana, e se agravou com a pandemia e a invasão da Ucrânia pela Rússia. Tudo ocorreu em um momento em que os estoques mundiais de alimentos já eram escassos.

FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) aponta esse movimento dos preços. Em novembro de 2025, o índice da instituição que acompanha os preços dos alimentos estava 14% abaixo do da média de 2022, um ano de muita pressão. A queda foi provocada principalmente pelo recuo de 32% no preço dos cereais.

Os produtos agrícolas não devem sofrer grandes pressões a curto prazo. Há uma evolução na produção mundial de grãos e boa oferta na de proteína animal, com consequente recomposição dos estoques mundiais. Os dados do Usda preveem estoque mundial de arroz de 185 milhões de toneladas na safra 2025/26, 4% a mais do que em 2019/20. O de milho também sobe 4% no período, e o de trigo, 3,3%.

A maior evolução ocorre com a soja. Na safra 2019/20, a produção mundial era de 336 milhões de toneladas, volume que subiu para 426 milhões em 2025/26. Os estoques da oleaginosa subiram para 122 milhões de toneladas nesta safra, 42% a mais do em 2020/21, segundo o órgão americano.

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