Anderson Souza
Anderson.souza@clicabrasilia.com.br
O ano está chegando ao fim e muitos estudantes do Ensino Fundamental e Ensino Médio se contentam pela chegada desta época tão esperada – as férias. Por outro lado, os pais que manterão os seus filhos nas instituições voltam a se preocupar, devido a já acostumada temporada de reajustes nas mensalidades das escolas particulares, que ocorre no final de cada ano. Segundo a presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Distrito Federal (Sinepe-DF), Amábile Pácios, os aumentos para o ano de 2011 irão variar entre 7% a 14% no DF.
“Não há como fazer comparações dos aumentos percentuais no país inteiro. Em São Paulo, por exemplo, tem escolas que cobram R$ 5 mil e algumas deverão aumentar mais ou menos 20%” cita. Ela justifica que essas despesas servirão para o pagamento de contas como o aluguel, água, luz, salário dos professores e outros derivados.

De acordo com os dados divulgados pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), as escolas particulares e públicas vêm tendo uma melhoria no país, segundo as pesquisas realizadas de 2005 a 2009. Embora os dados apontem um avanço nacional, as metas para as escolas privadas do DF não tiveram tanto sucesso, pois a média ficou abaixo do esperado (confira tabela ao lado). Mesmo assim, o contador José Ribamar, de 40 anos, diz que matricula seus filhos em escolas particulares por não confiar no compromisso que as públicas deveriam ter, mas também se queixa dos aumentos na mensalidade. “O DF é o lugar onde tem um dos maiores, se não o maior, custo de vida do Brasil. Não acho o aumento nas mensalidades justo, pois os gastos de se morar aqui já são bem altos” ressalta.
A presidente do Sinepe-DF diz que muitas pessoas imaginam que as planilhas de custo – que, normalmente, são fechadas em setembro – são feitas baseadas na inflação. “Nós não pensamos no preço do feijão ou do arroz na hora de planejar os gastos centrados em uma melhora pedagógica” garante. Ela também relembra que, caso uma escola não utilize o capital em questões pedagógicas, os pais tem todo o direito de reclamar.
Estes gastos podem ser acompanhados pelos pais, para que haja uma garantia de que o dinheiro está sendo utilizado de acordo com o prometido pelas instituições. É o que afirma o diretor do Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor (PROCON), Oswaldo Morais. Ele aconselha que os pais exijam a planilha de custos, que mostra para onde o dinheiro será remanejado. “O colégio é obrigado a justificar os gastos, mostrando os investimentos realizados para o aumento pedagógico. Caso ocorra o contrário, a pessoa deve contatar o PROCON e exigir seus direitos” afirma.
Com base no aumento do valor das mensalidades das escolas particulares, várias pessoas alegam que o nível educacional destas escolas não possui a qualidade esperada e que na hora de escolher entre matricular seus filhos em uma escola pública ou privada, a questão às vezes chega a ser um dilema.
O professor de geografia, Alberto Pessoa Sobrinho, de 48 anos, tinha o filho matriculado em uma instituição privada e decidiu transferi-lo para uma pública neste ano. Ele afirma que os custos chegavam a levar quase 30% do seu salário, o que não valia à pena, já que não notava tanta diferença de ensino na escola em que seu filho estudava e na que hoje se encontra. “Acima de tudo, acho mais vantajoso colocar meu filho em uma escola pública, pois não acho que o valor monetário exigido pelas particulares seja equivalente a qualidade delas”.
Alberto destaca ainda que manter um filho em uma escola particular, realmente, pesa no bolso. “E olha que ainda tem as despesas secundárias, como materiais escolares e também transporte escolar”, conclui.
Materiais escolares também sofrerão aumento
Os gastos com materiais escolares é outro fator que se deve levar em conta. O funcionário Carlos (nome fictício) de uma papelaria localizada no centro de Taguatinga, diz que o preço dos materiais também deverá subir no próximo ano. “Os livros escolares já estarão disponíveis em janeiro e, provavelmente, irá ter um aumento de 10%. Todo ano um pequeno aumento ocorre” afirma. O presidente do PROCON orienta aos pais para que façam sempre uma busca de preço na hora de escolher os produtos. “ Nunca se esqueçam de pegar a nota fiscal”, relembra.